Folha de Boa Vista-Boa Vista-RR
03 de Nov de 2003
A reportagem da Folha tentou entrar em contato com representantes do CIR em Roraima, mas o assessor de imprensa do Conselho Indígena de Roraima não atendeu a solicitação da repórter de marcar entrevista sobre o caso. No site do CIR, a ONG fala sobre a morte do indígena, solicitando mais agilidade no processo e punição para os assassinos.
O Conselho Indígena também preparou um dossiê sobre os crimes cometidos contra os povos indígenas em Roraima, enviado às autoridades federais, acusando as instâncias governamentais de omissão e parcialidade nas situações onde os índios são vítimas de agressões.
Segundo o CIR, a morte do macuxi, Aldo da Silva Mota, revelou, mais uma vez, a repressão do aparelho do Estado de Roraima contra os direitos indígenas.
O dossiê fala sobre o vereador Francisco das Chagas e faz um histórico das brigas ocorridas na área Raposa Serra do Sol. O documento afirma que a morte de Aldo Mota, longe de ser um fato isolado, configura-se em mais um caso no universo de violência institucionalizada contra os primeiros habitantes da região. No dossiê o CIR cita 20 homicídios, 21 tentativas, 54 ameaças de morte, 51 agressões, 80 casas destruídas e 71 prisões ilegais de indígenas até o ano de 1999.
Família - Na época do crime, representantes do CIR apresentaram a viúva de Aldo, Irene de Oliveira, clamando por justiça: "Quero que os culpados sejam presos", dizia. Aldo deixou nove filhos, o mais novo com apenas 11 meses de idade. A viúva contava que as crianças choravam e perguntavam pelo pai". Ele era carinhoso, não brigava com os filhos", declarou Irene.
Tuxauas
Quatro meses após o crime, lideranças indígenas e tuxauas da região da Serra (município de Uiramutã) se reuniram na sede do CIR, com representantes do Ministério Público Federal, Polícia Federal e Funai para cobrar agilidade no inquérito que apura o assassinato de Aldo da Silva Mota.
Entre outras coisas, os tuxauas pediram a prisão dos culpados e do mandante; indenização da família, da casa queimada e a retirada das famílias dos criminosos das terras indígenas Raposa Serra do Sol.
Briga judicial
A "Fazenda Retiro" é objeto da Ação Civil Pública no 1999.1458-9 na qual os índios solicitam a reintegração de posse. No início, comunidades e posseiro fizeram um acordo judicial onde as partes se comprometiam a respeitar os bens pessoais e patrimoniais de ambos até a solução definitiva do impasse. Com o crime os índios exigiram a retirada imediata dos invasores.
A ocupação do vereador Francisco das Chagas fica a 11 quilômetros do vilarejo Mutum, uma das cinco vilas instaladas dentro de Raposa Serra do Sol. Em todas elas ocorrem constantes conflitos envolvendo índios, moradores, militares e outros posseiros. Este ano a Justiça decidiu que Francisco das Chagas deveria sair da fazenda. Ele foi indenizado pelas benfeitorias da fazenda Retiro.
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