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CIR acusa arrozeiros pelos atentados

Folha de Boa Vista-Boa Vista-RR
Autor: TIANA BRAZÃO
24 de Nov de 2004

As discussões em torno da demarcação da área indígena Raposa/Serra do Sol se agravaram na manhã de ontem. Um índio sofreu tentativa de homicídio e aldeias foram queimadas num conflito na região de Normandia. Em nota à imprensa, o Conselho Indígena de Roraima (CIR) acusa arrozeiros e fazendeiros de serem os autores da ação.

O tuxaua da comunidade do Jawari, Júnior Constantino, esteve ontem à noite na sede da Polícia Federal prestando depoimento sobre os fatos ocorridos na região, quando seu irmão, Jocivaldo Constantino, foi vítima de tentativa de homicídio por pessoas contrárias a demarcação em área contínua da Raposa/Serra do Sol.

De acordo com seu depoimento, a comunidade onde mora foi invadida às 6h, quando cerca de 40 pessoas entre rizicultores, fazendeiros e índios, derrubaram e atearam fogo nas casas, destruíram as plantações e fecharam as estradas de acesso à região.

Na invasão, Jocivaldo Constantino foi atingido por dois tiros, um na cabeça e outro no braço. Segundo o tuxaua, depois de baleado, seu irmão ainda foi espancado. Ele reconheceu o carro de onde saíram os disparos como de propriedade do prefeito eleito de Pacaraima, o rizicultor Paulo César Quartiero.

Declarou ainda que reconheceu entre os presentes os rizicultores Ivo Barelli e Ivalcir Centenário, além do agricultor conhecido por "Curica". O grupo derrubou, com tratores, 10 casas de alvenaria e depois ateou fogo em 13 casas com cobertura de palha, conforme a denúncia.

Durante a invasão, 35 pessoas, entre adultos e crianças, estavam na aldeia. As famílias não tiveram permissão para retirar das casas objetos pessoais, alimentações ou roupas. "Derrubaram e queimaram tudo", denunciou Constantino. Em seguida, foram destruídas as roças da comunidade e criações de pequeno porte de propriedade das famílias foram mortas.

"Ao constatar que o indígena estava ferido e sagrando muito, o rizicultor Paulo César deu ordem para os homens que parassem de espancá-lo. Os mesmos agressores levaram Jocivaldo ao Posto da Funai, em São Marcos, que depois de atendido no hospital de Pacaraima foi conduzido a Boa Vista, onde está internado na Unidade de Trauma do Pronto Socorro Estadual Francisco Elesbão", relata uma nota do CIR enviada à Folha ontem à noite.

Júnior disse também que os indígenas da comunidade Jawari estão sem alimentação, roça e roupas e temem que os agressores voltem para acabar com o que restou da comunidade.

Para ele, a manifestação soou como um aviso de que a classe latifundiária do Estado não aceita a homologação da Raposa/Serra do Sol e que para isso está disposta a usar de todos os recursos, inclusive a violência.

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