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Cimi: Lula não merece mais confiança de índios

O Globo, O Pais, p. 9
25 de fev de 2005

Cimi: Lula não merece mais confiança de índios

Soraya Aggege

O Conselho Indigenista Missionário (Cimi), reunido ontem na Chapada dos Guimarães (MT), divulgou nota atacando o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e afirmando que ele não merece mais a confiança dos povos indígenas. Segundo o Cimi, Lula virou refém dos interesses de grileiros e latifundiários.
"O governo Luiz Inácio Lula da Silva deixou finalmente o discurso enganoso de aliado da causa indígena para revelar sua verdadeira face de instrumento dos seus mais poderosos e letais inimigos", diz a nota.
Cimi diz que índios estão sendo ameaçados de morte
Ainda segundo o Cimi, Lula trocou as eleições de 2006 e o apoio da base aliada pela homologação das terras indígenas. O resultado foram 63 indígenas assassinados, três missionários seqüestrados e diversos ameaçados de morte durante os dois anos de governo Lula.
"Setores influentes do governo federal - de olhos postos nas onipresentes e asfixiantes eleições de 2006 - do Legislativo e do Judiciário, agem nitidamente como agentes do poder financeiro, das grandes empresas, dos fazendeiros, do agronegócio, dos invasores e até mesmo de criminosos que se utilizam da violência na grilagem e usurpação dos territórios indígenas", concluiu o Cimi na nota, que será levada às comunidades católicas como denúncia contra o governo Lula.
Para o Cimi, o governo petista é uma continuidade do anterior, com a diferença de ter diálogo:
- Mas esse diálogo não trouxe resultados. A preocupação com a reeleição paralisa as ações sociais, que não são do interesse dos aliados de Lula. No início do governo, pegamos o programa e detalhamos as ações necessárias. Mas nada foi feito - disse o presidente do Cimi e bispo de Balsas (MA), dom Gianfranco Maserdotti.
Segundo o bispo, os 420 missionários do Cimi avaliam que a situação é tensa em quase todas as áreas. Em Roraima, a recusa de Lula em assinar a homologação da reserva Raposa Serra do Sol incentivou os poderes locais a criar novos obstáculos jurídicos à homologação.
No Pará, reserva Cachoeira Seca foi invadida
No Pará, foco das atenções por causa dos assassinatos da freira Dorothy Stang e de três trabalhadores rurais, o povo arara, da terra Cachoeira Seca, tem seu território invadido por madeireiros e fazendeiros.
No Acre, diz a nota, o governo petista vem negando os direitos constitucionais dos apolima-arara, negociando a retirada desse povo de suas terras, e dificulta a regularização da terra do povo nava. Segundo o Cimi, são atendidos os interesses de grupos ligados ao ecoturismo.
- Lula fez uma opção e os inimigos históricos dos indígenas e dos sem-terra estão hoje na base do governo - disse o missionário Sebastião Carlos Moreira, do Cimi em Mato Grosso.

O Globo, 25/02/2005, O País, p. 9

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