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Cientistas preveem 'Revolução Industrial' marinha que ameaça espécies

O Globo, Sociedade, p. 23
16 de Jan de 2015

Cientistas preveem 'Revolução Industrial' marinha que ameaça espécies
Impacto do uso dos mares é similar ao que industrialização teve para animais terrestres

SANTA BÁRBARA (EUA) - Os mesmos padrões que levaram à extinção de 500 espécies de animais terrestres nos últimos 500 anos estão agora atingindo a fauna que habita os oceanos. A conclusão é de um estudo desenvolvido por grupo de cientistas americanos publicado, nesta quinta-feira, pela revista "Science". Segundo a pesquisa, até hoje, apenas cerca de 15 espécies da população marinha foram destruídas pela atividade humana. No entanto, isso não significa que muitas outras não estejam caminhando na mesma direção daquelas que vivem em terra.
De acordo com a pesquisa, apesar de hoje os animais dos oceanos estarem saudáveis como os terrestres viviam há milhares de anos, o próximo século é de desafios para eles. O trabalho compara a Revolução Industrial em terra aos padrões atuais de uso humano dos oceanos. Durante o século XIX, fábricas se expandiram, destruindo florestas e extraindo recursos do solo. Esse uso indevido teve como consequência a extinção de centenas de espécies terrestres. No oceano, porém, a pesca àquela época permaneceu associada a barcos a vela que atuavam em trechos de água próximos à costa.
- Todos os sinais indicam que podemos estar iniciando uma "Revolução Industrial" marinha - afirmou Douglas McCauley, professor do Departamento de Ecologia, Evolução e Biologia Marinha da Universidade da Califórnia em Santa Bárbara.
Coautor da pesquisa, Steve Palumbi, da Universidade de Stanford, elenca uma série de ameaças emergentes à vida nos oceanos, como fazendas de atuns e criações de camarões. Estas últimas, segundo ele, estão destruindo manguezais com voracidade semelhante à da agricultura terrestre. Ele cita ainda a mineração do fundo do mar, que opera máquinas de 300 toneladas e barcos de grande porte. As mudanças climáticas também representam obstáculos.
O estudo destaca ainda soluções, como manter mais e maiores áreas dos oceanos livres do desenvolvimento industrial e da pesca. Os cientistas advertem, porém, que as reservas não são suficientes para conter a destruição da fauna marinha. São necessárias ainda políticas "criativas e eficazes" para gerenciar o dano aos animais entre as áreas marinhas protegidas.

O Globo, 16/01/2015, Sociedade, p. 23

http://oglobo.globo.com/sociedade/ciencia/cientistas-preveem-revolucao-…

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