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Ciência contra os criminosos

CB, Brasil, p. 14
24 de Fev de 2008

Ciência contra os criminosos
PF levará a campo recursos tecnológicos de alto nível para combater o desmatamento. Operação será iniciada neste mês, no Norte e Centro-Oeste

Edson Luiz
Da equipe do Correio

A Polícia Federal vai usar a tecnologia e a ciência para combater os crimes ambientais, durante a Operação Arco de Fogo, que começa neste mês no Norte e Centro-Oeste do país. Um grupo de peritos já está treinando para se deslocar até a Amazônia, nas próximas semanas, onde usarão novas técnicas para produzir provas contra madeireiros que fizeram desmatamento ilegal. Pela primeira vez, a PF levará a campo recursos que até então só existiam em laboratórios do Instituto Nacional de Criminalística (INC), em Brasília.
"Criou-se uma nova legislação, mas a polícia continuou urbana", explica o perito Emílio Lenine Carvalho da Cruz, responsável pela área de meio ambiente do INC. Segundo ele, com o surgimento da Lei dos Crimes Ambientais, a PF teve que se aperfeiçoar em novas técnicas. Mas nesse tipo de delito, o trabalho da perícia é diferente do que se faz na cidade. "A característica é diferente, já que avaliamos a dimensão e as conseqüências do crime e apuramos se houve negligência, o que se torna um agravante para o infrator", observa Paulo Roberto Fagundes, diretor do INC.
Dentre as novas técnicas está a análise da madeira derrubada ou transportada ilegalmente. O trabalho cabe ao perito Marcelo Garcia de Barros, engenheiro florestal por formação, com mestrado em ciências ambientais. Ele analisa com um microscópio a estrutura anatômica e os veios da madeira,para identificar a espécie. A partir disso, os peritos sabem se houve ou não um crime. "Sabendo qual é o tipo da madeira, verificamos se a extração é permitida ou não. Tudo feito de forma científica", observa Emílio da Cruz, que é doutor em geologia.
Mas o trabalho durante a Operação Arco de Fogo não vai se restringir à identificação da madeira. "Estamos levando à campo um banco de dados sobre áreas desmatadas", diz Emílio, explicando que a Policia Federal também vai usar um sistema de monitoramento por satélite Aliás, de tecnologia japonesa e com grande potência de fiscalização. "Nós podemos captar imagens por radar, o que permite rastrear áreas mesmo com chuvas ou com excesso de nuvens", acrescenta o perito, afirmando que depois das análises, o trabalho é feito em campo, quando será possível mostrar os valores da madeira derrubada e o que foi destruído na floresta.
Tailândia
Ontem, a madeira armazenada em quatro serrarias de Tailândia (PA) começou a ser retirada e transportada em caminhões e balsas até Marituba, município da região metropolitana de Belém. A operação, feita por agentes da Secretaria de Meio Ambiente do Pará, não encontrou nenhuma resistência. Uma tropa de 450 homens da Polícia Militar está na cidade para evitar que os protestos de terça-feira passada, que impediram a retirada do material apreendido, se repitam. Hoje, outros 157 homens da Força Nacional de Segurança Pública, que estavam no Maranhão, também chegam ao município. Na próxima semana, novos contingentes serão deslocados de várias partes do país para outras 11 regiões onde ação da Polícia Federal será desencadeada. Cerca de 800 homens estão sendo mobilizados para atuar permanentemente na Amazônia.

CB, 24/02/2008, Brasil, p. 14

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