O Globo, Amanhã, p. 22
Autor: VIEIRA, Agostinho
30 de Abr de 2013
Cidades (IN) sustentáveis
Concentração da população em grandes cidades pode ser uma boa noticia
para o meio ambiente. Para isso, crescimento urbano precisa deixar de ser
sinônimo de poluição, degradação e desperdício de recursos.
Agostinho Vieira
Até 2050, de acordo com a ONU, mais de 70% dos habitantes do planeta estarão vivendo em cidades, principalmente nas grandes metrópoles. A notícia não é necessariamente ruim. Concentrar as residências numa determinada região pode significar a liberação de outras áreas para a produção de alimentos e preservação de florestas. Também pode representar ganho de eficiência no transporte, no recolhimento de resíduos e redução nas perdas de itens preciosos, como energia e água.
No entanto, não é isso que acontece hoje. Atualmente, 75% dos recursos naturais do mundo já são consumidos em áreas urbanas. E pode piorar. Além do crescimento da população, que pode chegar a dez bilhões até o final do século, temos a migração para as cidades. Um estudo divulgado pelas Nações Unidas, na semana passada, em Nairóbi, no Quênia, mostra que 60% das edificações que serão necessárias ainda precisam ser erguidas. Uma oportunidade e uma ameaça ao mesmo tempo.
O documento da ONU pede exatamente que se dissocie urbanização de degradação. Ele prega um esforço concentrado de governos, empresas e sociedades para que se adote um novo padrão de desenvolvimento sustentável. O texto estima investimentos da ordem de US$ 40 trilhões nos próximos 30 anos para a criação de novas infraestruturas urbanas, principalmente nos países em desenvolvimento.
O trabalho cita alguns exemplos de boas práticas ao redor do mundo que poderiam ser adotados em outras cidades. Em Lagos, na Nigéria, por exemplo, investimentos na racionalização do transporte público reduziram em 13% as emissões de carbono. O tempo gasto no trajeto ficou até 50% menor em alguns casos.
Singapura aparece como modelo no tratamento e reaproveitamento de esgotos e águas residuais. Eles esperam reduzir o consumo nacional de água em até 10% até 2030. Mas também há exemplos brasileiros, como o programa "Lixo que não é lixo", adotado em Curitiba. Ele incentiva a separação dos resíduos e a troca do material reciclável por passagens de ônibus e produtos alimentícios. Ou seja, é possível fazer diferente, melhor e talvez até mais barato. Basta ter vontade política para isso.
O Globo, 30/04/2013, Amanhã, p. 22
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