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Cidades podem ser a força para a sustentabilidade

OESP, Especial, p. H4
Autor: UBIÑAS, Luis A.
21 de Jun de 2012

Cidades podem ser a força para a sustentabilidade

Análise: Luis A. Ubiñas

A Rio+20 gera uma importante discussão mundial sobre nosso meio ambiente e uma oportunidade urgente de ampliar esse diálogo para incluir as cidades. Metade da população mundial já vive nas cidades e todo o crescimento do mundo nas próximas quatro décadas - cerca de 2,3 bilhões de pessoas - vai ocorrer lá. Neste cenário, aumentar o foco de desenvolvimento para as cidades é essencial para criar oportunidades econômicas e sociais - o que é fundamental para qualquer conversa futura sobre sustentabilidade.
Mais e mais cidades são literalmente o Marco Zero do desenvolvimento sustentável e da redução da pobreza. Elas são o cruzamento de múltiplas questões de justiça social - da participação democrática às oportunidades econômicas. E são ainda centrais em qualquer discussão sobre os padrões globais de energia a serem usados, conservação da água, gestão da poluição, tendências verdes de construção e controle do clima.
Na Fundação Ford, enxergamos o crescimento das cidades como uma oportunidade para ampliar possibilidades econômicas, permitir o acesso a empregos, aumentar a inclusão social e proteger o meio ambiente. Mas, para chegar a esse ponto, precisamos pensar sobre como devem parecer as cidades justas e prósperas do futuro. Como as aspirações de todos seus moradores serão atendidas? E que práticas urbanas permitirão às comunidades de baixa renda participar de forma mais ampla nas oportunidades econômicas, sociais e culturais?
Construir essa cidade exige abrir nossas mentes para pensamentos novos. Demanda que tenhamos a coragem de ir além das fronteiras municipais e buscar soluções regionais. Requer arrojados quadros políticos que incentivem líderes dessas cidades a agir.
Há um incrível potencial para os setores público e privado e a sociedade civil construírem novas parcerias que fortaleçam o papel das regiões metropolitanas na definição de oportunidades econômicas e na competitividade, na implantação de tecnologias que fomentem a criatividade e gerem novos conhecimentos e no incremento da qualidade de vida dos moradores pobres das cidades urbanas enquanto reforçam a competitividade econômica das cidades.
No período que antecedeu a Rio+20, realizamos uma série de diálogos com importantes líderes urbanos, pensadores e outros que estão compartilhando novas ideias e exemplos promissores sobre como colocar essa nova visão sobre as cidades em prática. Agora, já no Rio de Janeiro, vamos continuar essa conversa. Vinte anos depois da Eco-92, temos a chance de fazer jus à nossa profunda responsabilidade como administradores dos ambientes que nos sustentam, tanto o natural quanto o construído pelo homem. E precisamos tirar o melhor desse momento.

É PRESIDENTE DA FUNDAÇÃO FORD

OESP, 21/06/2012, Especial, p. H4

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