OESP, Vida, p. A17
03 de Dez de 2012
Cidades buscam soluções para poluição hídrica
Encontro internacional em SP reúne experiências de municípios que enfrentam problema com rios
Bruno Deiro
Uma abordagem integrada para a poluição hídrica e as enchentes nas grandes cidades de países em desenvolvimento será discutida em um encontro que ocorrerá entre terça e quinta-feira, em São Paulo. O modelo, do Banco Mundial, foi adotado pela capital paulista e cidades como Bogotá (Colômbia), Buenos Aires (Argentina), Seul (Coreia do Sul) e Nairóbi (Quênia).
A Oficina Internacional sobre Gestão Integral de Água Urbana reúne experiências obtidas por várias metrópoles cuja expansão enfrenta problemas de gerenciamento hídrico. A intenção, segundo os organizadores, é promover a troca de experiências. Carentes de planejamento, todas têm o desafio de corrigir problemas antigos, como rios poluídos e falta de abastecimento, e reduzir os impactos provocados pelo crescimento populacional.
Para Thadeu Abicallil, especialista sênior em água e saneamento do Banco Mundial, as cidades latinas são as que demandam maior planejamento. "O que a gente observou nos últimos anos foi um forte crescimento da urbanização na América Latina, que hoje tem cerca de 80% da população vivendo nas cidades", afirma Abicallil. "Falta, porém, um planejamento adequado, como política habitacional", completa.
Para o especialista, São Paulo é um dos principais exemplos. Além da poluição e da constante falta de disponibilidade hídrica, a tendência é sofrer com mais enchentes em decorrência de extremos climáticos. A saída, diz, seria pensar em ações integradas.
"A poluição não se resolve só com tratamento de esgoto. E o esgoto, por sua vez, não tem como única solução a canalização de águas pluviais. No Brasil, as ações estão dispersas em várias instituições. É preciso um novo entendimento institucional", explica.
Legislação
Além disso, outro obstáculo no País seria a complexidade federativa, em que cada município tem sua própria legislação. Uma ação bem-sucedida de reutilização de água em Porto Alegre, onde todos os edifícios são obrigados a ter reservatório para chuvas, acaba não sendo adotada por outras capitais.
No workshop que começa amanhã, uma das megacidades com mais exemplos positivos deve ser Seul. A despoluição do Rio Cheonggyecheon, que atravessa a cidade, é referência mundial e serve de modelo para o projeto semelhante que vem sendo desenvolvido no Tietê, em São Paulo, há 21 anos - por enquanto sem os mesmos resultados.
OESP, 03/12/2012, Vida, p. A17
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