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Ciclo 'Selvagem' promove debate entre cientistas, filósofos e pensadores indígenas

O Globo, Segundo Caderno, p. 3
12 de nov de 2019

Ciclo 'Selvagem' promove debate entre cientistas, filósofos e pensadores indígenas
Em sua segunda edição, evento promove encontro entre saberes da academia e da floresta

O Globo
11/11/2019 - 22:00 / Atualizado em 11/11/2019 - 22:04

Diferentes formas de ver e compreender o mundo se encontram em "Selvagem", ciclo de pensamento que começa hoje, no Teatro do Jardim Botânico, e vai até sexta. O evento, que chega à sua segunda edição, busca correspondência entre diversas perspectivas sobre a ciência, juntando saberes indígenas, artísticos e acadêmicos. Nesta edição, serão debatidos tópicos como "Biosfera", "Metamorfose", "Céu", "Amazônia" e "Plantas perfumosas".

Os encontros acontecem em rodas de conversa de até três horas, mediadas pelo ambientalista e líder indígena Ailton Krenak. Entre as falas, haverá intervenções musicais de mulheres Huni Kuin, da região amazônica entre o Peru e o Acre, da violoncelista Nana Carneiro da Cunha e do músico Rodrigo Quintela, no baixo acústico.

- Queremos que esses encontros criem conexões entre o saber da Academia e o da floresta - diz a editora Anna Dantes, idealizadora do projeto. - Muitos conhecimentos e entidades do sagrado indígena que foram popularizados na nossa cultura fazem parte de uma história que não chega às nossas escolas. Aprendemos mitologia grega, mas não conhecemos os mitos de origem dos povos da Amazônia...

A ideia do evento começou a surgir em 2014, depois que Anna editou o livro "Una Isi Kayawa - Livro da cura Huni Kuî do Rio Jordão" , que apresentava mais de 100 espécies medicinais dos jardins do povo o povo Huni Kuin. Desde então, ela tem se aprofundado nos saberes indígenas.

- O livro nos deu um entendimento claro do quanto somos ignorantes e analfabetos de conhecimento indígena - diz Anna. - É algo que poderia fazer muita diferença na autoestima brasileira.

Para se ter uma ideia da variedade, a programação promoverá o encontro do escritor e ensaísta Dorion Sagan (filho do astrônomo Carl Sagan) com a professora indígena e filósofa Cristine Takuá. Ou ainda do filósofo italiano Emanuele Coccia e do pajé Dua Bus (Manoel Vandique Kaxinawá), da aldeia Coração da Floresta na terra indígena Alto Rio Jordão. Participam ainda nomes como o ecólogo Fábio Scarano e o antropólogo canadense Jeremy Narby, autor do livro "A serpente cósmica, o DNA e a origem do saber".

O evento terá o lançamento de quatro livros, que norteiam as conversas do ciclo: "Regenerantes de Gaia", de Fabio Scarano; "Metamorfoses", de Emanuele Coccia; "Antes o mundo não existia, história dos antigos Desana", de Torami-Kehíri (Luiz Lana) e Umusi Pãrõkumum (Firmiano Arantes Lana); e "Biosfera", do russo Vladimir Vernadsky, um clássico que está sendo editado pela primeira vez no Brasil, com tradução direta do russo. Publicada em 1926, a obra foi uma das primeiras a pensar a terra como um organismo composto tanto pela matéria viva quanto pela matéria inerte. Também foi pioneiro na maneira de relacionar os organismos com o meio cósmico e os raios solares.

O Globo, 12/11/2019, Segundo Caderno, p. 3

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