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Chuvas foram insuficientes para recuperar nível dos reservatórios

Valor Econômico, Brasil, p. A4
21 de Fev de 2014

Chuvas foram insuficientes para recuperar nível dos reservatórios

Por Rodrigo Polito
Do Rio

As chuvas que ocorreram nos últimos dias não foram suficientes para melhorar o cenário dos reservatórios das hidrelétricas do país. O nível de armazenamento das usinas dos subsistemas Sudeste/Centro-Oeste e Nordeste, os principais do país, está em 35,3% e 42,3%, respectivamente, e continua estável. Em fevereiro, porém, o nível acumula queda de 5% e 0,3%, respectivamente, nos dois subsistemas.
Segundo o meteorologista Alexandre Nascimento, da Climatempo, o bloqueio criado por uma massa de ar quente foi quebrado por uma frente fria, como estava previsto, e o aumento do volume de energia a partir das chuvas foi considerável, mas a situação ainda é crítica. "O quadro passou de 'extremamente ruim' para 'ruim'", disse ele, que se reuniu ontem com comercializadoras de energia.
De acordo com Nascimento, a energia natural afluente (ENA) - volume de energia que pode ser produzido de acordo com o regime de chuvas em determinado local - antes do início das chuvas era de 35 mil MW médios. Com a volta das chuvas, o valor da ENA aumentou para cerca de 42 mil MW médios. Esse acréscimo, somado à redução provocada pela queda da temperatura nos últimos dias, trouxe um ganho de 10 mil MW médios para o sistema, porém insuficiente para atender à toda a demanda do país.
Segundo Nascimento, para se alcançar uma situação confiável de conforto, em termos de abastecimento, seria preciso chover 700 milímetros até abril, principalmente no Sudeste, "o que é praticamente impossível", afirmou o meteorologista.
A Bolt Comercializadora prevê que o preço de liquidação de diferenças (PLD) - o preço de energia de curto prazo - continuará no teto regulatório de R$ 822 por megawatt-hora até o fim de fevereiro e provavelmente na primeira semana de março. O valor para a próxima semana será divulgado hoje pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica.
A consultoria PSR, referência no setor elétrico brasileiro, estima que a possibilidade atualmente de o governo ter que fazer um racionamento de 4% da demanda de energia é de 18,5%. Mas esse valor pode se tornar ainda maior, porque as previsões do ONS para fevereiro pioraram. "O ONS [Operador Nacional do Sistema Elétrico] aparentemente reduziu a previsão de chuva para os próximos dez dias", disse o diretor Comercial da Bolt, Rodolfo Salazar.
Para alguns executivos, apesar da gravidade da situação, o governo não deve decretar racionamento de energia, devido ao dano político que seria causado pela medida em um ano eleitoral.
"O próprio discurso do governo é de rechaçar qualquer possível ideia de racionamento", disse uma fonte do setor. "Mas já podemos prever o despacho [acionamento] térmico praticamente o ano inteiro", completou.

Valor Econômico, 21/02/2014, Brasil, p. A4

http://www.valor.com.br/brasil/3438026/chuvas-foram-insuficientes-para-…

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