OESP, Economia, p. B5
21 de Nov de 2007
Chuvas ainda são insuficientes para evitar térmicas
Nível de reservatórios parou de cair após início do `período úmido', mas ONS,ainda aciona termoelétricas
Irany Tereza
Nicola Pamplona
Embora as chuvas tenham começado a cair sobre as hidrelétricas do Sudeste, o Operador Nacional do Sistema elétrico (ONS) continua acionando térmicas a gás para preservar água nos reservatórios. No último domingo, as térmicas da Petrobrás geraram 2,3 mil megawatts (MW), apenas 30 MW a menos do que o recorde de geração atingido em 4 de novembro, em meio à crise de abastecimento de gás. Técnicos do setor, porém, acreditam que a situação tende a se normalizar nas próximas semanas.
Segundo o ONS, o sistema utilizou 3,6 mil MW de energia térmica no domingo, incluindo usinas a carvão e óleo combustível. Desde o início da crise, que provocou a suspensão do fornecimento de gás a indústrias e postos do Rio e São Paulo, o volume de energia térmica vem oscilando entre 2,7 mil MW e 3,2 mil MW. Nos domingos, com o menor consumo de gás para as indústrias, a Petrobrás aproveita para deslocar mais combustível para as usinas, gerando créditos para o meio da semana, quando o fornecimento de gás enfrenta restrições.
O início do "período úmido", como são chamados os meses chuvosos, estancou a queda do nível dos reservatórios das hidrelétricas, hoje em 50% no subsistema Sudeste/Centro-Oeste. Segundo especialistas, as chuvas começam a afastar o risco de restrições no mercado de gás natural. O preço da energia no mercado livre, que indica a necessidade ou não de uso de térmicas, caiu da casa dos R$ 230 por MWh no período mais crítico para R$ 180 por MWh esta semana.
"O reservatório de cabeceira mais importante do sistema está com 62% de volume e isso é ótimo", diz o diretor geral do ONS, Hermes Chipp, referindo-se a Furnas. Os reservatórios próximos às cabeceiras dos rios estão em nível bastante confortável. Além de Furnas, no Rio Grande, as hidrelétricas de Nova Ponte e Emborcação, na Bacia do Paranaíba, estão, respectivamente, com 75% e 54%.
A grande incógnita é o comportamento das hidrelétricas do Nordeste, que estão com o preocupante nível médio de 35%. Até dezembro, a região será monitorada com atenção, à espera das chuvas, que costumam chegar em abundância no início do ano. Se não vierem, o Sudeste terá de gerar mais energia para reforçar a região e as térmicas podem entrar novamente no circuito. "Nossa grande incerteza é que nunca se sabe quanto vai entrar de chuva. Aí, temos de nos preparar para, se vier o pior, não haver surpresa, como em 2001", diz Chipp.
A geração de energia hídrica é a base da matriz energética brasileira, que hoje tem 51 usinas com reservatórios de água (há também as usinas "a fio d'água", sem estocagem). Mas a seca de 2001 mostrou a fragilidade de um sistema essencialmente hidrelétrico. Hoje, 26 térmicas a gás reforçam o sistema. O problema é que não há gás suficiente, situação que piorou após a crise na Bolívia.
Termoelétricas podem ser todas ligadas em janeiro
A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) alerta para a possibilidade de todas as usinas termoelétricas das regiões Sudeste e Centro-Oeste terem de ser ligadas em janeiro de 2008. Segundo o superintendente de Regulação da Geração da Aneel, Rui Altieri, para que as térmicas não sejam acionadas novamente, a capacidade dos reservatórios das hidrelétricas dessas regiões terá de subir dos atuais 50% para 61% até de janeiro. 'A possibilidade de esses 61% não serem atingidos em 40 dias é muito grande', disse Altieri.
OESP, 21/11/2007, Economia, p. B5
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