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Chuva mata 1 e tira 4.375 pessoas de casa no Rio

OESP, Metrópole, p. C3
04 de Jan de 2013

Chuva mata 1 e tira 4.375 pessoas de casa no Rio
Há dois desaparecidos e mais de 20 feridos em 5 cidades do Estado; ruas de Xerém, em Duque de Caxias, estão cobertas por lama e lixo

Os temporais que atingiram o Rio de Janeiro na madrugada desta quinta-feira, 3, provocaram a morte de uma pessoa em Xerém, distrito de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, e obrigaram pelo menos 4.375 moradores de cinco cidades (Angra dos Reis, na Costa Verde; Duque de Caxias e Seropédica, na Baixada Fluminense; e Petrópolis e Teresópolis, na Região Serrana) a sair de suas casas. Mais de 20 pessoas ficaram feridas e duas estão desaparecidas em Duque de Caxias. O último balanço foi divulgado pela Defesa Civil Estadual às 20h30 de quinta.
A pior situação ocorreu em Angra, onde 160 pessoas ficaram desabrigadas e 2.700 foram desalojadas. Ao longo do dia, 2.380 foram autorizadas a retornar às suas casas. Em Duque de Caxias houve 400 desabrigados e 1.000 desalojados. Em Petrópolis; há 30 desalojados; em Teresópolis, há 50 e em Seropédica, 35.
Os estragos acontecem menos de dois anos depois da maior tragédia natural do País. Chuvas que começaram na madrugada de 12 de janeiro de 2011 deixaram 916 mortos e 345 desaparecidos na Região Serrana.
Área mais atingida pelo temporal de quinta, Xerém sofreu a pior tragédia em 40 anos e amanheceu devastada. Ruas cobertas de lama, carros levados pela enxurrada e entulho por toda a cidade formavam o cenário de destruição causado pelo transbordamento de três rios. Pelo menos oito casas foram destruídas pelas águas. O homem que morreu não havia sido identificado até a noite de quinta. O corpo foi encontrado em uma praça.
Um desaparecido é funcionário da Companhia Estadual de Águas e Esgotos, identificado pelo Corpo de Bombeiros apenas como Enéas, que trabalhava em uma represa. O outro é morador de Duque de Caxias.
A busca por vítimas e os trabalhos de recuperação foram interrompidos às 17h30. "A previsão é de mais chuva durante a noite e por isso vamos deixar quatro equipes de plantão na região. Nesta sexta-feira, 4, às 4h, reiniciamos as buscas pelos desaparecidos", afirmou o subcomandante-geral dos bombeiros, tenente-coronel Alcântara.
A chuva começou à 0h e se intensificou por volta das 2h de quinta. A previsão da meteorologia é de que chova até esta sexta na Baixada e na Região Serrana.
Recém-empossado, o prefeito de Duque de Caxias, Alexandre Cardoso (PSB), decretou estado de emergência no município. O prefeito espera que o estado de emergência apresse a liberação de recursos federais para reconstruir Xerém. Segundo Cardoso, serão necessários R$ 35 milhões para as obras. Uma ponte foi destruída e outras duas foram interditadas porque podem desabar.
"Acordei com um forte estrondo e só deu tempo de descer as escadas antes de desabar", contou a dona de casa Osana Ferreira, de 41 anos. "Acordei com um estrondo e quando vi tinha água já na porta de casa. Não consegui tirar a geladeira nem a máquina de lavar", lamentava Lena Pereira, de 57 anos, que mora em um bairro que foi isolado.
A Defesa Civil e o Corpo de Bombeiros interditaram diversas casas na parte baixa de morros pelo risco de desabamento. Ruas inteiras foram bloqueadas pois o asfalto ameaçava ceder.
Estradas. Houve rolamento de pedras na Rodovia Rio-Santos (BR-101), no km 505, em Angra dos Reis, e no km 559, em Paraty. As interdições foram parciais. Na Rodovia Rio-Juiz de Fora (BR-040), houve bloqueio parcial no km 92, em Petrópolis, no sentido Minas, e entre os km 85 e 89, no sentido Rio. Por segurança, o tráfego foi fechado na BR-116 Norte, entre Guapimirim (Baixada Fluminense) e Teresópolis. Mangaratiba, na Costa Verde, teve prejuízos por causa da chuva, mas sem desabrigados nem desalojados. / ANTONIO PITA, HELOISA ARUTH STURM, MARCELO GOMES, LUCIANA NUNES LEAL e FÁBIO GRELLET

Região Serrana: 2 anos depois, nenhuma casa entregue
Nova Friburgo começará a receber apenas em março as primeiras das 5.304 unidades prometidas para a área

ALFREDO JUNQUEIRA / RIO

Dois anos depois das chuvas que devastaram a Região Serrana do Rio de Janeiro, os governos federal e estadual ainda não entregaram nenhuma das 5.304 casas prometidas na época aos desabrigados.
As primeiras unidades começam a ser entregues em Nova Friburgo em março. Nos outros sete municípios atingidos - Teresópolis, Petrópolis, Bom Jardim, Sumidouro, Areal, São José do Vale do Rio Preto e Carmo -, as construções nem sequer começaram.
A Secretaria de Estado de Obras alegou que encontrou "dificuldades para definir áreas apropriadas para construção de moradias, por razões e características geológicas próprias da região". O volume de recursos públicos empregados na construção de casas para os desabrigados soma R$ 550 milhões.
Outros R$ 147 milhões foram investidos em obras de contenção de encostas e R$ 84 milhões estão sendo aplicados na construção de 100 pontes - 50 delas já foram concluídas.
A Secretaria de Obras ainda divulgou que o Estado vai aplicar mais R$ 282,5 milhões do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e do PAC da Prevenção de Risco na região.
Hoje, o ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra, encontra-se com o governador Sérgio Cabral (PMDB) para estabelecer mais um plano de trabalho para os problemas provocados pela chuva no Rio.
Dados do Sistema Integrado de Administração Financeira (Siafi) revelam, no entanto, que o governo federal tem sérios problemas para executar obras e iniciativas de prevenção e resposta a desastres naturais.
Levantamento da ONG Contas Abertas mostra que dos R$ 5,75 bilhões previstos para serem investidos em programas específicos, apenas R$ 1,85 bilhão foram pagos até 31 de dezembro - o que representa 32,24% da dotação inicialmente prevista. A maior parte dessas ações é de responsabilidade justamente do ministério de Bezerra.
A mesma dificuldade de execução é observada em ações do governo do Estado do Rio. Relatório preparado pelo gabinete do deputado Luiz Paulo (PSDB), com base nos dados do Sistema Integrado de Administração Financeira para Estados e Municípios (Siafem), mostra que, dos R$ 113 milhões que a administração fluminense havia previsto para o programa Reassentamento de Moradores de Áreas de Risco, apenas R$ 2 milhões foram aplicados.

Zeca passa o dia ajudando vítimas
Cantor tem sítio em Xerém, Duque de Caxias

ANTONIO PITA / RIO

Dono de um sítio em Xerém (distrito de Duque de Caxias), o cantor e compositor Zeca Pagodinho passou o dia ajudando moradores que sofreram com a enchente. Embora atualmente viva na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio, Zeca estava no sítio, que diz ser sua verdadeira casa, desde o réveillon.
Em um quadriciclo, ele percorreu várias ruas de Xerém com a filha Elisa. Zeca também usou o Twitter e o Facebook para pedir solidariedade às vítimas. O cantor descreveu a situação na localidade de Hilarino de Souza. "Muitas famílias acabaram. Muita gente pobre, sofredora. Lá só tem um caminho, que está tomado de lixo. É um descaso. Isso dá nojo, nojo dos políticos." Uma ponte desabou perto da propriedade do sambista.
Zeca contou que acordou com amigos salvando bichos no quintal. "Era muita chuva, vi toda a sujeira lá em cima. Fiquei ajudando as pessoas a sair de lá. Juntei o que tinha em casa e fiz uma sopa. Havia cinco cestas básicas que sobraram do Natal. Queria comprar mais, mas está tudo fechado", lamentou.
Ele tinha viagem marcada para Orlando, nos Estados Unidos, ontem. "Vou viajar agora, com a cabeça em Xerém. Eu não perdi nada, talvez uns cabritos, dois bezerros. Isso não é nada. Estou desde as 6h da manhã ajudando as pessoas. Minha mulher levantou às 4h para ajudar. A cada hora, chegam amigos, voluntários", disse Zeca, que confessou uma "sensação de impotência" diante do drama.
Pela manhã, em entrevista à TV Globo, o cantor pediu providências às autoridades. "Tem criança desaparecida, tem família soterrada, tem casa que desceu rio abaixo", disse Zeca, que se emocionou ao comentar a devastação.

OESP, 04/01/2013, Metrópole, p. C3

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http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,regiao-serrana-2-anos-depoi…
http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,zeca-passa-o-dia-ajudando-v…

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