OESP, Metrópole, p. A15
05 de Nov de 2014
Chuva faz nível do Sistema Cantareira parar de cair pela 1ª vez após 38 dias
Abastecimento. Após mês mais seco desde 1930, novembro já registra precipitação igual a 93% do registrado em outubro. Mesmo com a estabilidade, há 202 dias não ocorre acréscimo de volume no manancial; o último que a Sabesp registrou foi no dia 16 de abril
Rafael Italiani e Felipe Resk
A chuva que atingiu São Paulo e o sul de Minas nos últimos dias deu fôlego ao Sistema Cantareira. O nível de água do reservatório ficou estável nesta terça-feira, 4, após 38 dias de quedas consecutivas. Segundo dados da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), o sistema de represas manteve 11,9% da capacidade.
A última vez que o reservatório deixou de perder água foi em setembro, antes dos 105 bilhões de litros da segunda cota do volume morto serem incorporados. Nos dias 26 e 27 daquele mês, o reservatório se manteve estável em 7,2%, caindo para 7,1% no dia 28.
Ontem, o volume de chuva sobre o Cantareira foi de 15,7 milímetros, acima da média diária dos últimos meses. Enquanto em outubro inteiro choveu 42,5 milímetros na região, nos primeiros quatro dias deste mês o volume acumulado já é de 39,6 milímetros: 93% do mês anterior. Outubro foi o mês mais seco no reservatório em 84 anos.
Antes de a segunda cota do volume morto entrar no cálculo da Sabesp, no dia 24 de outubro, o nível do Cantareira estava em apenas 3%, o mais baixo já registrado. Após o acréscimo de 105 bilhões de litros da reserva técnica, o volume útil de água subiu para 13,6%.
Mesmo com a estabilidade, há 202 dias não é registrado aumento no manancial. O último que a Sabesp registrou foi no dia 16 de abril , quando o reservatório foi de 12% para 12,3%.
A previsão do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) é de mais chuva sobre o Sistema Cantareira. Entre esta quarta e quinta, existe a possibilidade de mais de 6 milímetros de chuva sobre os mananciais. Após o dia 9, a previsão é de seca, mas meteorologistas já preveem chuvas na segunda quinzena do mês. Segundo a meteorologista Josélia Pegorim, da empresa Climatempo, as condições de precipitação sobre o reservatório aumentam a partir do dia 16 de novembro com a chegada de uma frente fria.
Vazão dos rios. As chuvas já foram suficientes para aumentar a vazão de água dos rios que formam o Sistema Cantareira para os mananciais do reservatório. Na Represa Jaguari-Jacareí, nesta terça, foi registrada uma entrada de 10,6 mil litros por segundo. Durante uma cerimônia de entrega de trens, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) comemorou a estabilidade.
"Ajudou, mas nunca uma chuva sozinha vai encher o reservatório. Tanto ajudou, que o Cantareira parou de cair, o que é natural. Quer dizer, você primeiro encharca, porque a terra está muito seca, para depois subir." Na segunda, Alckmin disse que ainda neste mês a Represa Guarapiranga deve entregar mais 1 mil litros de água por segundo no Sistema Cantareira.
O governador promete "otimizar" a integração dos reservatórios da região metropolitana de São Paulo. Com isso, Alckmin pretende diminuir pela metade a dependência do Sistema Cantareira. Antes da crise, o reservatório produzia uma média de 33 mil litros de água por segundo para a região. A vazão do reservatório já vinha sendo reduzida ao longo do ano por causa da crise hídrica. / Colaborou Caio do Valle
BISPO REZA POR ÁGUA EM BAURU
O bispo de Bauru, d. Caetano Ferrari, orientou os padres de sua diocese para que rezem pedindo uma "boa chuva" para a região. A cidade está em esquema de racionamento de água desde o dia 15 de outubro - 130 mil pessoas abastecidas pelo Rio Batalha recebem água dia sim, dia não.
De acordo com meteorologistas do Instituto de Pesquisas Meteorológicas, da Universidade Estadual Paulista (Ipmet/Unesp), as águas devem chegar na sexta-feira. "Deve chover entre 30 e 40 milímetros em todo o município", diz o meteorologista José Carlos Figueiredo.
"A situação em Bauru está dramática, os fiéis têm reclamado muito. Por isso, estamos pedindo aos padres que promovam orações e orientem seus fiéis a rezarem pedindo a bênção da chuva", conta d. Caetano. "Parece que já está dando resultado, porque as nuvens escureceram." / Chico Siqueira, especial para o Estado.
Agência federal cobra plano para 2ª cota do volume morto
A Agência Nacional de Águas (ANA) encaminhou um ofício para o Departamento Estadual de Águas e Energia Elétrica (DAEE), anteontem, cobrando como o órgão pretende usar a segunda cota do volume morto - que tem um total de 105 bilhões de litros de água. De acordo com órgão federal, ontem a Sabesp já havia retirado 179,39 bilhões dos 182,5 bilhões da primeira reserva.
A companhia do Estado diz, no entanto, que ainda restam 12 bilhões de litros da primeira cota do volume morto. Procurada, a Secretaria de Estado de Saneamento e Recursos Hídricos disse que encaminhou ontem a resposta para ANA. A agência pede que o DAEE estipule cotas de retirada do segundo volume morto para que ele não seja retirado de uma só vez, como ocorre com a primeira reserva.
Já o Ministério Público Estadual (MPE) recorreu, anteontem, de uma decisão da 2ª Vara da Fazenda Pública que negou uma ação do Grupo Especial do Meio Ambiente (Gaema) para a imediata redução de retirada de água do Sistema Alto Tietê. A Justiça alegou, na semana passada, interferência do Judiciário em atos do Executivo. / R.I.
OESP, 05/11/2014, Metrópole, p. A15
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