VOLTAR

China reduz poluição por decreto

O Globo, Ciência, p. 34
19 de Jun de 2013

China reduz poluição por decreto
Indústrias instaladas no país terão que ficar mais eficientes e cerca de 30% mais limpas até o final de 2017

Cláudio Motta

RIO - Por decreto, o maior poluidor do planeta quer ficar mais limpo. A China baixou um pacote na última sexta-feira com medidas rigorosas para melhorar a qualidade do ar. As indústrias instaladas no país terão que reduzir suas emissões de poluentes em cerca de um terço (30%) até o final de 2017, de acordo com meta definida pelo Conselho de Estado, a autoridade administrativa máxima do país. A decisão está sendo recebida como uma promessa de alívio para a respiração de chineses.
A estratégia do governo é fazer com que as indústrias chinesas sejam obrigadas a substituir tecnologias ultrapassadas, que emitem muito mais do que equipamentos modernos. A corrida pela renovação do parque industrial deve aumentar e baratear a produção de máquinas eficientes.
Outra medida é fazer com que as companhias passem a publicar relatórios periódicos sobre suas emissões. Porém, ainda não foi determinado exatamente quais empresas terão que respeitar o limite de emissões. Autoridade chinesas já declararam, no início deste ano, que as indústrias pesadas iriam enfrentar novas metas, decisão que atinge principalmente siderúrgicas, petroquímicas e as produtoras de cimento.
Pequim enfrenta poluição recorde
O curto prazo dado pela China para suas indústrias, apenas quatro anos, reflete uma situação ambiental crítica. Reclamações da população sobre a qualidade do ar são constantes no país, sobretudo por parte da classe média emergente. Alguns chegaram a classificar a situação como "arpocalipse".
No início deste ano, Pequim teve o pior índice de poluição já registrado. Nesta ocasião, a quantidade de partículas menores do que 2,5 micrômetros de diâmetro foi 22 vezes maior do que o recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Não foi um caso isolado. Com frequência, poluentes atmosféricos superam os níveis considerados seguros pela OMS. Estimativa do Banco Mundial (Bird) indica que 16 das 20 cidades mais poluídas do planeta são chinesas. Outro estudo, do Greenpeace, mostra que a queima de carvão mineral representa 19% do problema ambiental, enquanto milhares de veículos produzem mais 6%.
O problema é crônico sobretudo na Região Leste da China. Por isto, autoridades chinesas também querem diminuir as emissões domésticas. Outra meta do Conselho de Estado é encerrar todos os aquecedores a carvão mineral usados em prédios residenciais. Este é o combustível mais usado no país. Ele é mais poluente do que o petróleo e o gás natural.
Especialistas comemoram a decisão da China de enfrentar sua poluição atmosférica. Para Emilio La Rovere, professor da Coppe/UFRJ e coordenador do laboratório CentroClima, haverá uma grande repercussão, inclusive fora de suas fronteiras. Ao impor limites para sua indústria, a China sinaliza que haverá uma corrida tecnológica rumo às baixas emissões.
- As discussões saem da esfera diplomática governamental para entrar numa realidade industrial. A meta da China não vai resolver todo o problema, mas é um primeiro passo muito ousado - analisa Rovere. - O Brasil vinha tentando tomar a liderança no campo ambiental junto aos países em desenvolvimento. Com este movimento, a China mostra que pode enfrentar a questão ambiental sem obviamente perder sua competitividade. Fazer o mesmo é um desafio para as indústrias dos outros países.
Em entrevista à revista britânica "NewScientist", Owen Cooper, da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos EUA (NOAA, na sigla em inglês) considerou a meta chinesa ambiciosa. Porém, os cortes precisam ser maiores do que a taxa de crescimento do parque industrial - caso contrário, não surtirá efeito na prática.
Já o professor de Geografia da Universidade Federal Rural do Rio, Heitor Soares de Farias, acredita que o principal impacto da iniciativa chinesa será local:
- A China atingiu índices intoleráveis de poluição, que chegam a comprometer a visibilidade. Há períodos em que a população recebe a recomendação de não sair de casa.

O Globo, 19/06/2013, Ciência, p. 34

http://oglobo.globo.com/ciencia/china-impoe-limites-para-emissao-de-pol…

As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.