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Chesf corre risco de ter fatia diluída em Belo Monte

Valor Econômico, Empresas, p. B2
10 de Mai de 2016

Chesf corre risco de ter fatia diluída em Belo Monte

Rodrigo Polito

Uma das principais subsidiária da Eletrobras, a Chesf pode ter diluída sua participação de 15% na Norte Energia, empresa responsável pela hidrelétrica de Belo Monte, se não acompanhar os aportes de capital exigidos pela empresa. Segundo o diretor de Operações da Chesf e integrante do conselho de administração da Norte Energia, José Aílton de Lima, a Chesf ainda não realizou o aporte de R$ 155 milhões, sendo R$ 90 milhões referentes a chamada de capital em março e o restante em maio.
"Havia um aporte de capital no início de março, mas não fizemos porque não tínhamos caixa. Tem outro [aporte] em maio, de R$ 65 milhões. A Chesf está fazendo um esforço sobre-humano para fazer [o aporte], mas não há nenhuma garantia [de que desembolsará os R$ 65 milhões]", afirmou o executivo ao Valor.
Segundo Lima, o acordo de acionistas prevê que os sócios que não acompanharem o aporte de capital podem ter sua fatia no projeto reduzida. Ele explicou, contudo, que há todo um procedimento para que a diluição de fato ocorra e, caso aconteça, a redução da participação da Chesf no empreendimento será muito pequena.
"Todo acordo de acionistas prevê isso [diluição de participação caso o sócio não aporte capital]. O compromisso dos sócios é botar o projeto de pé", afirmou Lima.
A Chesf foi a subsidiária da Eletrobras mais prejudicada pela adesão da holding à polêmica Medida Provisória 579/2012, da renovação antecipada e onerosa das concessões elétricas, que culminou com a perda de receita de R$ 10 bilhões anuais do grupo. A subsidiária ainda aguarda a aprovação pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) de uma indenização da ordem de R$ 5,6 bilhões relativa ao processo.
Ao Valor, a Chesf informou, em nota, que a aprovação da remuneração desse montante pelo órgão regulador "será uma importante fonte de recebíveis para a companhia concluir seus investimentos".
Questionada sobre a falta de recursos para aportar em Belo Monte, a Chesf informou que "os seus projetos são priorizados de acordo com sua capacidade de investimento e fluxo de caixa disponível, observando os compromissos contratuais assumidos, sendo normal em suas operações que a empresa possa, ordinariamente, rever investimentos diante de cenários atípicos, atuando de acordo com suas estratégias empresariais".
A necessidade de aportes de capital na Norte Energia se deve à dificuldade da empresa em obter um montante de R$ 2 bilhões de um financiamento firmado com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Para destravar o recurso, a companhia precisa viabilizar a comercialização de um bloco de 900 megawatts (MW) médios de energia descontratada da hidrelétrica, pelo valor de R$ 185 por megawatt-hora (MWh). Os sócios da Eletrobras na Norte Energia pressionam a estatal para comprar esse volume de energia, com base em cláusula prevista no acordo de acionistas. O impasse, porém, será alvo de arbitragem.
Além da Chesf, os outros acionistas da Norte Energia são Eletronorte (19,98%) e Eletrobras (15%); os fundos de pensão Petros (10%) e Funcef (10%); as elétricas Neoenergia (10%) e Amazônia (formada por Cemig e Light, com 9,77%); a Aliança Norte Energia (Vale e Cemig, com 9%); a Sinobras (1%) e a J. Malucelli Energia (0,25%).

Valor Econômico, 10/05/2016, Empresas, p. B2

http://www.valor.com.br/empresas/4555231/chesf-corre-risco-de-ter-fatia…

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