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Chefe da Funai se afasta após invasão de sede

OESP, Nacional, p. A14
18 de out de 2006

Chefe da Funai se afasta após invasão de sede
Administrador em Alagoas nega que decisão tenha sido tomada por causa de impasse com grupo que ocupa prédio do órgão desde segunda

Ricardo Rodrigues, Evandro Fadel

O administrador da Fundação Nacional do Índio (Funai) em Alagoas, José Heleno de Souza, confirmou ontem que pediu afastamento do cargo, mas negou que tenha sido influenciado por pressões dos índios. Segundo Heleno, a decisão foi tomada no mês passado e documento pedindo afastamento foi enviado à direção nacional da Funai, em Brasília, no dia 3 de outubro.

'O resultado coincidiu com as reivindicações dos indígenas, mas minha decisão aconteceu antes de o problema estourar', comentou ele, em entrevista por telefone. Mesmo assim, Heleno disse que tenta resolver o impasse com os cerca de 200 índios das tribos xocó, kariri, xucuru-kariri e kaxango, que desde segunda ocupam a sede da Funai em Maceió. O grupo pede agilidade no processo de demarcação de terras, cestas básicas e a colocação de posto indígena dentro das terras dos índios. Eles afirmam, porém, que não tiveram retorno de Brasília.

Em Tamarana, no norte do Paraná, também há impasse com relação a reivindicações indígenas, que estão acampados desde domingo em frente à casa de máquinas da Pequena Central Hidrelétrica (PCH) de Apucaraninha. A solução para os pedidos dos caingangues pode caminhar mais rapidamente a partir da próxima semana. Até lá, eles não pretendem sair do local, embora estejam propensos a permitir que funcionários da Companhia Paranaense de Energia (Copel) entrem e saiam livremente.

O protesto é contra a demora no pagamento de indenização em razão do uso dos recursos naturais. A usina fica dentro da reserva indígena, onde vivem 1,5 milhão de índios. Dentro da categoria de PCH, tem potência instalada de 9,5 megawatts, energia capaz de atender 30 mil pessoas. Dois barris com óleo diesel foram postos pelos índios na porta da casa de máquinas.

O procurador da República em Londrina João Akira Omoto reuniu ontem representantes da Funai, dos caingangues e da Copel para discutir solução. Ficou estabelecido que no dia 24 haverá novo encontro, quando pode ser definida indenização.

Segundo a ata da reunião, realizada na Procuradoria, os índios declararam-se 'temerosos' em razão do leilão, ganho pela Copel, para a construção da Usina Hidrelétrica de Mauá, no Rio Tibagi. A comunidade caingangue tem cinco aldeias na Bacia do Tibagi. O administrador da Funai em Londrina, José Gonçalves Santos, disse acreditar que será permitida a entrada dos funcionários.

No Pará, também ontem, cerca de 300 índios xicrins da aldeia catete bloquearam estrada de acesso às instalações da Companhia Vale do Rio Doce em Carajás. Cobram cumprimento de acordo para melhorias na aldeia. A empresa alega que tem feito tudo o que foi acertado e acusa líderes do movimento de radicalização.

Funcionários da Vale foram impedidos de deixar a companhia e alguns tiveram celulares apreendidos. Os que tentaram sair em seus carros foram barrados. Um engenheiro que furou o bloqueio contou ao Estado que o clima é tenso em Carajás.

OESP, 18/10/2006, Nacional, p. A14

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