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Charles defenderá a Amazônia

CB, Mundo, p. 21
10 de Mar de 2009

Charles defenderá a Amazônia
Príncipe chega amanhã ao Brasil para alertar sobre riscos das mudanças climáticas e discutir fundo contra desmatamento. Ativistas veem com otimismo envolvimento de herdeiro do trono britânico

Rodrigo Craveiro
Da equipe do Correio

Um texto divulgado no site da fundação Prince's Rainforest Project, do Príncipe Charles, transmite uma ideia da preocupação que o herdeiro do trono britânico mantém em relação à Amazônia. "A floresta amazônica é lar para cerca de 7.500 espécies de borboletas, comparadas com apenas 65 no Reino Unido. Pelo menos 40 mil espécies de plantas, 3 mil de peixes, 1.294 de pássaros, 427 de mamíferos, 428 de anfíbios e 378 de répteis têm sido classificados cientificamente na região", afirma. Tamanha importância a um dos maiores biomas do planeta colocou o Brasil mais uma vez na rota de Charles - ele já havia visitado índios da tribo Carajás em 2002, na região de Palmas (TO). O ex-marido da princesa Diana iniciou ontem o tour de 10 dias pela América Latina com os propósitos de promover o desenvolvimento sustentável e alertar sobre os perigos das mudanças climáticas.

Charles e sua mulher, Camilla Parker-Bowles, a duquesa de Cornuália, chegam à Base Aérea de Brasília no início da tarde de amanhã. O casal será recebido pelos presidentes do Senado, José Sarney, e da Câmara dos Deputados, Michel Temer. Os compromissos seguintes serão uma recepção nos jardins da Embaixada do Reino Unido, tendo como anfitrião o embaixador Alan Charlton, e uma audiência com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no Planalto. À noite, ambos serão prestigiados por um jantar oferecido pelo chanceler Celso Amorim no Itamaraty.

Na quinta-feira, Charles e Camilla embarcarão para o Rio de Janeiro, onde vão conhecer a organização não-governamental Luta Pela Paz, na Favela Nova Holanda. Em discurso para empresários, ele alertará que um fracasso nos próximos oito anos deverá ter efeitos catastróficos para o planeta e lembrou que serão necessários 100 meses para salvar o mundo - uma referência a danos irreversíveis ao meio ambiente. Os pontos culminantes da visita ao Brasil serão as passagens por Manaus e Santarém (PA).

O Ministério do Meio Ambiente confirmou ao Correio que as mudanças climáticas globais estarão no centro da visita. Existe a possibilidade de Charles se reunir com o ministro Carlos Minc, que pretende mostrar ao herdeiro do trono britânico o Plano Nacional de Mudanças Climáticas. O Brasil mantém um cronograma ambicioso para reduzir em mais de 70% as emissões de gases do efeito estufa até 2019. Segundo a assessoria do ministério, o governo brasileiro quer ver seu plano respaldado pelo Reino Unido, crítico contumaz das queimadas na Amazônia.

ONGs
As principais organizações não-governamentais de cunho ambientalista saúdam a chegada de Charles e Camilla. Secretária-geral da WWF no Brasil, Denise Hamú, disse que o Reino Unido tem sido protagonista na luta contra as mudanças climáticas. "Em 2007, o governo britânico lançou o relatório Stern, com dados econômicos sobre as consequências do aquecimento global", afirmou à reportagem, por telefone. "A visita de Charles marca a aproximação entre Brasil e Inglaterra, também é uma forma de ele prestigiar o novo embaixador e retornar à Amazônia."

Paulo Adário, diretor da campanha de Amazônia do Greenpeace, lembrou que o príncipe tem uma proposta "interessante" de criar um fundo para combater o desmatamento. "Ele fala em montar financiamentos que ajudem países em desenvolvimento a lutarem contra as mudanças climáticas. Em termos globais, seriam precisos US$ 30 bilhões por ano para reduzir as emissões em florestas tropicais de todo o mundo", estimou.

O ativista descarta que Charles pressione o Brasil para conter as queimadas na Amazônia. "Somos um país soberano, de responsabilidades globais, e estamos na velocidade correta", disse Adário. Ontem, o príncipe e Camilla foram recebidos no Palácio La Moneda pela presidenta chilena, Michelle Bachelet, e assistiram ao lançamento de uma campanha de eficiência energética. Em seguida, Charles abordou o tema mudanças climáticas com empresários. O casal segue hoje para Valparaíso, o principal porto do Chile, a 120km da capital.

CB, 10/03/2009, Mundo, p. 21

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