OESP, Metrópole, p. C8
16 de Ago de 2008
Cetesb ameaça multar empresas por aguapés
Vegetação partiu de lagos e se espalhou pelo Rio Tietê, em SP
Marcela Spinosa
A Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental de São Paulo (Cetesb) ameaça multar os proprietários das áreas responsáveis pela proliferação da vegetação aguapé que apareceu anteontem no leito do Rio Tietê. Uma delas abriga uma empresa de mineração desativada e a outra fica ao lado do Parque Ecológico de Itaquaquecetuba, no limite com Suzano, na Grande São Paulo, a 50 km da capital.
Segundo o órgão, a estiagem, atrelada ao despejo de esgoto na água desses locais, fez a planta se reproduzir em grande quantidade. Com a volta da chuva, o nível da água subiu, o aguapé entrou em um dique e chegou à cidade. A Cetesb não soube dizer o volume exato de vegetação avistado no Tietê, mas informou que os aguapés chegavam a dois quilômetros de extensão ao longo do rio.
Eles vieram de uma lagoa formada na cava de mineração em Itaquaquecetuba. "A área está desativada há mais de 20 anos. A lagoa tem mais de dois quilômetros de extensão e, em determinado ponto, desemboca no Rio Tietê", explicou Edson Santos, gerente da Cetesb.
A lagoa, segundo ele, além da água da chuva, é alimentada por outros fluxos de água, que ficam ao lado do parque da cidade. "Esses corpos (de água) recebem esgoto puro, que é nutriente do aguapé. A planta se reproduz em ambientes com água parada e poluída", diz Santos. A vegetação não faz mal à saúde e até contribui para a limpeza da água porque sua raiz absorve e filtra os poluentes.
Mas o aguapé pode virar um problema, se sua proliferação não for controlada. De acordo com Santos, a planta se reproduz muito rapidamente e pode cobrir todo o corpo d'água, o que dificulta a navegação e impede a entrada de luz para organismos aquáticos. A raiz da planta atinge 1 metro e a parte externa à água não passa de poucos centímetros.
O gerente da Cetesb contou que não há possibilidade de o aguapé visto em São Paulo se reproduzir em grande quantidade e disse que sua aparição foi um fato isolado. "Apesar de a água do Tietê ser poluída, o rio segue seu curso e a água não fica parada." A última vez que se viu o aguapé em São Paulo foi em 2004, quando a vegetação estava em um dos braços da Represa Billings, na zona sul.
A Cetesb tenta agora descobrir o nome dos proprietários da mineradora e das áreas ao redor do parque de Itaquaquecetuba para determinar a limpeza periódica dos lagos e evitar novas contaminações. Além disso, os responsáveis devem ser multados. O valor da penalidade pode chegar a R$ 10 mil.
OESP, 16/08/2008, Metrópole, p. C8
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