O Progresso - http://www.progresso.com.br/not_view.php?not_id=43791
Autor: Valéria Aráujo
18 de Dez de 2009
São toneladas de alimentos estragados, enquanto há fome nas aldeias; indígenas denunciam descaso
DOURADOS - Cestas básicas estão apodrecendo na sede da Fundação Nacional do Índio (Funai), conforme denúncia de indígenas. Eles contabilizam 6.630 pacotes de arroz estragado, o que totaliza 33 toneladas do alimento. A fome e falta de segurança nas aldeias resultaram em ocupação do prédio da Funai, na manhã de ontem. Nos bastidores, o repórter do Dourados Agora, Cido Costa, que foi mantido refém com um grupo de 15 funcionários da Funai, registrou tudo. Além do arroz, os indígenas também mostraram pequenas quantidades de leite em pó estragado, fubá e açúcar com marcas de que foram "atacados" por ratos.
Enquanto o grupo reclama de falta de material para produção nas reservas, eles denunciam que há arados de tração animal novos e que não teriam sido distribuídos.
De acordo com o líder indígena Taquara Taperendy, o estopim do protesto, foi o descaso da direção da Funai para com os indígenas do Cone-Sul com relação à falta de alimentos. Ele conta que há cinco meses não recebe alimentos na aldeia onde mora. Por outro lado, denuncia que caminhões carregados estariam saindo do local, sem que eles saibam o destino das cestas. O grupo acredita que com a saída da administradora Margarida Nicoletti, problemas como a falta de segurança e incentivos à agricultura serão resolvidos.
Segundo eles, em 40 dias, seis indígenas morreram vítimas da violência que corre solta nas aldeias. Outra reclamação gira em torno de incentivos. "Nos tratam como inconsequentes e não disponibilizam maquinários. Eles apodrecem sem uso, mas a Funai não nos disponibiliza", dizem eles.
As lideranças dizem que os mais de 13 mil índios só não estão passando fome porque recebem cesta básica do governo do Estado. "Não tem como plantar. A Funai é omissa nesta questão, o que revolta a comunidade", explicaram.
No início do ano, oito toneladas de alimentos estragaram na Funai. Na época, a direção informou que a Funai de Dourados informou que os alimentos que estão na sede da Fundação são de "varreduras", ou seja, produtos que chegaram abertos e acabaram caindo no chão, sendo recolhidos porteriormente para serem encaminhados à Conab, que redistribui a setores ligados à alimentação animal.
O PROGRESSO tentou contato com a administradora. Ela não foi localizada durante todo o dia de ontem. A desocupação do prédio aconteceu às 17h50 de ontem, após o grupo receber garantias da exoneração de Margarida no dia 1 de janeiro. Até lá, eles permanecem acampados em frente à Funai, na Praça do Cinquentenário.
As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.