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A certeza de Mércio

Brasil Norte-Boa Vista-RR
07 de Abr de 2004

Mércio acredita na manutenção da reserva

O relatório do deputado Lindberg Farias (PT-RJ) sobre a homologação da reserva indígena Raposa Serra do Sol, concluído na quarta-feira e apresentado na comissão especial da Câmara, recomenda ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva a exclusão de cerca de 15% do total da reserva, de 1,7 milhão de hectares. Pela proposta, ficariam fora da reserva os arrozais e o município de Uiramutã e ainda uma extensa faixa de fronteira.
O texto, que sugere a Lula ouvir o Conselho de Defesa Nacional antes de homologar a terra, foi bombardeado ontem pelo presidente da Funai, Mércio Pereira Gomes.
As conclusões do deputado irritaram profundamente o presidente da Funai, que atacou o texto. Mércio defende a homologação da terra como ela foi demarcada. "Esse relatório parece coisa de um E.T., vindo das trevas da história brasileira. Significa andar para trás. É antibrasileiro, anti-histórico. Pago para ver se o presidente vai encampá-lo". Ele disse que o PT não é favorável a uma postura tão reacionária.
No seu texto, o deputado levou em conta até um antigo receio dos militares, o risco da soberania relativa da Amazônia com uma possível ameaça da autodeterminação dos povos indígenas. Ou seja, teme que grupos indígenas se unam num único povo ou numa nação. Ele citou como exemplo os ianomamis do Brasil e os da Venezuela. Mércio Pereira disse que o Brasil já tem 185 áreas indígenas demarcadas em faixa de fronteira e que nunca houve qualquer problema. Raposa Serra do Sol é uma das cinco últimas terras a serem demarcadas que estão em faixa de fronteira. Mércio disse que os arrozeiros têm uma extensa área de várzea fora da reserva e que não precisam expandir suas plantações para seu interior. - O presidente Lula disse que iria contemporizar e não que iria voltar atrás e rever o decreto de demarcação. Ele falou em encontrar mecanismos de ajudar no desenvolvimento de Roraima, mas sem prejuízo dos índios - disse o presidente da Funai

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