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Cerrado é mais rico do que a Amazônia

Gazeta Mercantil-São Paulo-SP
Autor: Alberto Sena
07 de Abr de 2003

As veredas homenageadas pelo escritor mineiro, de Cordisburgo, João Guimarães Rosa, no seu eterno livro Grande Sertão Veredas, são de suma importância para a sobrevivência do rio São Francisco. Uma vereda, caracterizada pela presença de água e vegetação de gramíneas e buritizeiros, de cujo fruto se faz saboroso doce e outras guloseimas, uma vereda é um rio em potencial.

Isso significa que, toda vez que as queimadas praticadas pelos agricultores a fim de 'limpar' o terreno para plantio passam pelas veredas estão destruindo rios e a possibilidade de tornar o São Francisco perene. Além de serem rios potenciais, as veredas são pontos de procriação de animais e aves. Araras, papagaios, cobras e outros bichos adotam as veredas por causa das riquezas que oferecem.

Os ambientalistas afirmam que as veredas alimentam não só o rio São Francisco, mas o Cerrado como um todo, vegetação em processo de extinção. Trata-se de um ecossistema de grande importância, mais rico em diversidade do que a Amazônia, existente no Brasil Central, um pouco na Venezuela, na África e na Austrália.

O Cerrado brasileiro possui área de quase 197 milhões de hectares. É encontrado nos estados de Goiás, Tocantins, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e parte de Minas Gerais, Bahia e Distrito Federal e reconhecido como a savana mais rica do mundo em biodiversidade.

A começar da flora, com mais de 10 mil espécies de plantas, com 4,4 mil endêmicas (exclusivas) da área, a riqueza do Cerrado está por todos os cantos. A fauna possui 837 espécies de aves; 67 gêneros de mamíferos, somando 161 espécies e 19 endêmicas; 150 espécies de anfíbios, das quais 45 endêmicas; 120 espécies de répteis, das quais 45 endêmicas. Só em Brasília (DF) há 90 espécies de cupins, mil espécies de borboletas e 500 espécies de abelhas e vespas.

O Programa de Valorização dos Símbolos Nacionais - 'Kit da Cidadania' - idealizado pelo Fórum de Líderes Empresariais Gazeta Mercantil também se ocupa com a preservação do meio ambiente. Com cerca de mil líderes ativos, o Fórum estimula a preservação pelo respeito que tem ao ser humano, e depois porque os recursos naturais são a matéria-prima de várias empresas.

Dados do Ibama informam que nas décadas de 1970 e 1980 os desmates, as queimadas, o uso de fertilizantes químicos e agrotóxicos provocaram o deslocamento da fronteira agrícola. A conseqüência disso foi que 67% das áreas do Cerrado foram 'altamente modificadas'. Surgiram daí voçorocas, assoreamentos e envenenamentos dos ecossistemas. O Cerrado está por um fio. Restam só 20% de área em estado de conservação.

O desafio daqui por diante é preservar esses 20% de Cerrado que restam, e torcer para que a natureza regenere o que foi destruído, o mais rápido possível. Os entendidos dizem que uma área de Cerrado devastada, se for isolada e ninguém mexer nela durante dez anos, regenera. Mas nunca será uma área como antes, pois na devastação muita coisa se perde em definitivo.

O pequizeiro, árvore que dá o pequi, é considerado pelo escritor, poeta e folclorista Teo Azevedo como `o esteio do Cerrado`. O pequizeiro nasce naturalmente no Cerrado, mas não é encontrado em todo o Cerrado. Detalhe: é o alimento mais rico em vitamina 'A' já pesquisado. Isso só justifica a preservação do Cerrado para as gerações que aqui estão e as que ainda virão.

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