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Cerco à carne vai crescer no país

O Globo, Economia, p. 23
24 de Jun de 2009

Cerco à carne vai crescer no país
Minc diz que BNDES será proibido de financiar empresas que desmatam

Soraya Aggege

SÃO PAULO e RIO. O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, afirmou ontem, em São Paulo, que o boicote à carne de áreas desmatadas na Amazônia, iniciada pelos frigoríficos, será estimulado a crescer nos próximos meses. Ele disse que o governo prepara um pacote de medidas para atingir toda a cadeia e incentivar o consumo consciente.
Está sendo estudado também o uso de códigos de barra ou chips. Os fazendeiros implantariam um dos sistemas para garantir a rastreabilidade, que será feita com o Ministério da Agricultura.
- O boicote vai crescer. É bom que cresça e que evite injustiça. Ele precisa produzir uma mudança de comportamento em toda a cadeia, do financiamento à prateleira - disse Minc.
Ele explicou que o código de barras vai custar, em média, R$ 1,50 por animal. Já os chips custariam entre R$ 3,50 e R$ 4 a unidade.
Adepto do boicote à carne, Minc foi claro:
- Nós temos a lista dos fornecedores dos frigoríficos. Quem quiser entrar na linha, tem que rejeitar as fazendas que desmatam. Temos mecanismos para evitar que o boicote se generalize. Temos que mudar o comportamento do banco que financia, do frigorífico que compra e, sobretudo, da rede de supermercados que vai escolher o frigorífico.
Minc lembrou que os bancos públicos, inclusive o BNDES, aderiram ao "protocolo verde" e não podem continuar financiando quem desmata:
- No caso do frigorífico que comprar carne de desmatador, não vai ter crédito do BNDES. Vamos assinar esse protocolo na próxima semana.
Ao lançar a campanha "O saco é um saco", em parceria com a Wal-Mart, Minc presenciou o lançamento do Pacto pela Sustentabilidade, anunciado pela rede. Frigoríficos como Bertin e JBS Friboi aderiram ao pacto, que proíbe a venda de carne de área desmatada.

O Globo, 24/06/2009, Economia, p. 23

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