Site da Funai e Gazeta Mercantil-São Paulo-SP
05 de Jun de 2003
O Censo Sanitário que está sendo feito pela Funasa em todas as aldeias, mostra que a despeito dos investimentos no saneamento básico das aldeias, uma das prioridades da saúde indígena, a situação ainda é bem grave. Os dados são preliminares, relativos a 1.628 aldeias (o equivalente a 215 mil pessoas) que já responderam ao questionário, em um universo de 3,5 mil. Das aldeias já cadastradas, apenas 589 possuem sistema de abastecimento de água. E desse total, 378 não têm nenhum tipo de tratamento da água - 95 recebem cloração, 22 filtração e 34 tratamento completo. A principal fonte de captação são poços (339 aldeias) e nascentes. A Funasa só trabalha com poços profundos.A principal forma de distribuição da água é por meio de redes, sistema adotado em 311 aldeias. Nos lugares aonde o saneamento já chegou, a melhoria na qualidade de vida é visível.
No Distrito Sanitário do Xingu, que reúne cerca de quatro mil pessoas, 22 das 59 aldeias já possuem sistema de distribuição funcionando, conforme informações do médico Douglas Rodrigues. O índio Aiumã, ou Pablo, da Aldeia Morena, conta que a chegada do saneamento facilitou, principalmente, a vida das mulheres - responsáveis pelo transporte da água - e reduziu o número de casos de diarréia. "Antes, elas caminhavam longas distâncias com latas de até 60 litros na cabeça, o que provocava dores na coluna. Agora, têm água limpa nas torneiras, em casa", compara.
O processo de instalação dos sistemas não é fácil. Rodrigues conta que para se chegar ao Xingu é preciso vencer 330 km de estrada e mais um ou dois dias de viagem em barcos de motor de polpa. "Às vezes a perfuradora não cabia no barco era preciso voltar e trocar o equipamento", conta. A falta de eletricidade obriga os técnicos a instalarem equipamentos movidos a energia solar, menos potentes e que reduzem a vazão de água. Mas há localidades em que a água passa longe, como no Distrito Sanitário do Rio Negro, no Amazonas, com população de quase 30 mil pessoas. "Aqui não tem nada, o saneamento é zero", afirma a coordenadora executiva da ong Saúde Sem Limites, Marina Machado. No distrito de Roraima, o coordenador médico do Conselho Indígena de Roraima (CIR), Paulo Daniel Moraes, conta que em 2001 a aldeia recebeu uma verba que deu para atender apenas dez das 235 comunidades. "O recurso de 2002 só começou a ser liberado agora. E vai dar para apenas mais 15", completa.
A comunidade indígena está com grande expectativa em relação aos novos diretores da Funasa e espera que haja investimentos de porte no saneamento básico das aldeias, garantindo a melhoria da saúde em geral. "São pessoas com reputação no meio e que prometem fazer um trabalho sério", completa Moraes. (fonte: Gazeta Mercantil)
As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.