Folha de Boa Vista-Boa Vista-RR
Autor: LOIDE GOMES
18 de Set de 2005
A Polícia Federal vai mobilizar cem agentes na terra indígena Raposa/Serra do Sol, a partir desta quarta-feira, 21, quando começam as comemorações pela homologação da reserva na aldeia Maturuca. Os policiais vão garantir a segurança do evento e das autoridades federais que virão de Brasília.
Conforme o delegado Ivan Herrero Fernandez, superintendente em exercício da Polícia Federal, o ministro da Justiça, Márcio Thomas Bastos, participará da comemoração. Sua chegada a Boa Vista está prevista para o dia 21, com pernoites nas aldeias da região e retorno para a capital federal no dia 23.
Outros dois ministros mais o advogado-Geral da União estão na iminência de vir. Segundo o CIR (Conselho Indígena de Roraima), o presidente da Funai (Fundação Nacional do Índio), Mércio Gomes, estará presente na abertura dos festejos, no dia 22, na aldeia Maturuca. O presidente Luis Inácio Lula da Silva (PT) enviará um representante. Entre os convidados internacionais, uma senadora italiana ativista dos direitos humanos confirmou presença.
Por causa das divergências sobre a homologação da terra indígena, o delegado Ivan Herrero anunciou que todos os agentes da Polícia Federal em Roraima estão de prontidão desde ontem para dirimir qualquer conflito que possa ocorrer no período. A comemoração dos índios só será encerrada no dia 30 de setembro.
Para compor o efetivo necessário para garantir a segurança na região, 80 dos 100 gentes virão de Brasília. Os demais são da Superintendência de Roraima. Eles chegam a Boa Vista nesta segunda-feira e serão divididos em grupos nos principais pontos da reserva e nas aldeias que sediarão os festejos.
O planejamento ainda está sendo elaborado pela Delegacia Institucional da Polícia Federal, mas o superintendente acredita que não haverá barreiras nas estradas que dão acesso ao Maturuca.
"A distribuição do pessoal dentro da reserva está sendo definida pela Delegacia Institucional, que está montando o planejamento da operação", destacou, ressaltando que a presença dos agentes é mais pela vinda das autoridades federais. "Caso não haja nenhum conflito por parte de associações contrárias, o grupo pode retornar antes", informou.
O superintendente salientou, no entanto, que por enquanto não há nenhum indício de que possa haver revolta de outros segmentos da sociedade em virtude da comemoração dos indígenas. "Mas não sabemos o futuro", disse, ao justificar a necessidade da operação.
"Quero deixar bem claro que o desencadeamento dessa operação atende às atribuições constitucionais da organização e não a interesses partidários, nem a influências políticas. Vamos trabalhar segundo a lei", asseverou.
ARROZEIROS - O empresário Luis Faccio, membro da Associação dos Arrozeiros, uma das principais entidades contrárias à homologação, disse que a categoria não vai fazer nada para impedir ou comprometer os festejos dos indígenas.
Outros empresários ouvidos ontem pela Folha afirmaram que não vão deixar a reserva, onde cultivam arroz irrigado, mas que a luta, agora, é na Justiça e não no embate direto com os indígenas
As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.