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Casos de diabetes aumentam entre índios

Folha de Boa Vista-Boa Vista-RR
15 de Set de 2003

Com aproximadamente 25 mil óbitos por ano, o diabetes é a sexta causa de morte no país. As estatísticas indicam que cinco milhões de brasileiros têm a doença, sendo que 7,6% da população têm entre 30 e 69 anos. Estima-se que metade dos portadores não sabe que tem e, entre os que tiveram o diagnóstico, 23% não fazem nenhum tipo de tratamento.

Para o endocrinologista e membro da Sociedade Brasileira de Diabetes, Edson Rodrigues Bussad, a falta do diagnóstico e a impenitência têm sido os grandes problemas enfrentados. O desinteresse pode causar complicações graves em três ordens: cegueira, amputação de membros inferiores e insuficiência renal crônica.
"De todos os casos mundiais de cegueira adquirida, 50% são causados pelo diabetes. Essa é a doença que isoladamente mais causa cegueira no mundo", disse ele. A diabetes mellitus tipo 2 (DM2) é a mais comum, representando 95% dos casos, e está associada ao envelhecimento da população, alimentação inadequada, pouca atividade física no dia a dia, vida estressada e obesidade.

Na do tipo 2, segundo o especialista, quase 50% não sabem que têm, pois é uma doença insidiosa, às vezes com poucos sintomas. "Quando começam aparecer sintomas de poliúria (urinar muito), polifagia (comer muito) e polidipsia (muita sede), a doença já tem de dois a cinco anos de evolução", ressaltou.

Nos últimos anos, os casos de aparecimento da doença estão intrinsecamente ligados, conforme Edson, à mudança no estilo de vida das pessoas e a forma como se alimentam. O processo de urbanização atrai as pessoas do interior para as cidades, e nesse contexto cria-se um ambiente propício a determinados tipos de patologia.

"A migração traz modificações que obrigatoriamente mudam o estilo de vida das pessoas: tipo de trabalho que era braçal passa ser mais intelectual e conseqüente a maneira como se gasta as energias oriundas dos alimentos passa ser diferente", ressalta Bussad.

INDÍGENAS - A população indígena também tem sido acometida. O especialista, que presta serviços na Fundação Nacional de Saúde, disse ter observado um aumento no número de pacientes diabéticos indígenas, exatamente pela mudança no estilo de vida. Embora não tenha apresentado dados estatísticos sobre esse aumento de casos entre os índios, Bussad informou que tem uma equipe fazendo esse trabalho.
"Nós temos números preliminares, não são oficiais, com atendimento de todos os critérios exigidos de uma pesquisa, mas os números desse início de trabalho mostram uma prevalência grande entre algumas etnias aqui no Estado".

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