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Casas irregulares avançam na Baixada

OESP, Metrópole, p. C4
22 de Dez de 2011

Casas irregulares avançam na Baixada
Região tem proporcionalmente mais gente morando em favelas (17,9%); números são 3 vezes maiores do que a média do Estado de SP

RODRIGO BURGARELLI

A Baixada Santista é a região do Estado de São Paulo onde proporcionalmente há mais gente morando em favelas. Segundo os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), um em cada cinco habitantes dessa região vive em locais com condições habitacionais precárias, onde faltam serviços básicos como saneamento, coleta de lixo e distribuição de água.
A proporção, de 17,9%, é três vezes maior do que a média do Estado de São Paulo e similar à encontrada no Rio (22,2%). A cidade que mais puxa para cima essa proporção é Cubatão, localizada em plena Serra do Mar, uma das áreas verdes mais importantes do Estado. Lá, 41,5% dos seus habitantes moram em favelas - o maior índice de toda a Região Sudeste.
Grande parte dos 49,1 mil habitantes de favelas em Cubatão moram nos chamados bairros-cota, que começaram a ser ocupados na época da construção das rodovias, nos anos 1950. Segundo o Censo, cerca de 11 mil pessoas viviam nesses bairros no ano passado, vários sem acesso a serviços básicos e em condições precárias de habitação. O problema já é alvo do governo estadual, que pretende, ao custo de R$ 1 bilhão, remover 5 mil famílias que vivem em área de preservação até 2016.
Apesar dos planos, ainda falta muito para melhorar as condições de vida da maior parte da população cubatense. Um exemplo está na Vila dos Pescadores, antigo reduto de trabalhadores que viviam da extração de peixes do Rio Casqueiro e de caranguejos. Quem sobe a serra, na volta para São Paulo, já se acostumou com a imagem de homens oferecendo caranguejos, hoje bem mais escassos, no acostamento da pista. A favela cresceu muito nos últimos anos, expandindo-se até as margens da Avenida dos Bandeirantes, uma marginal da Via Anchieta. Hoje, tem 10.150 moradores, a segunda maior do município, só perdendo para a Vila Esperança, que tem mais de 15 mil pessoas.
O IBGE não mapeou nenhuma favela no litoral paulista fora da microrregião da Baixada Santista - região geográfica que engloba as cidades de Praia Grande, São Vicente, Cubatão, Santos, Guarujá e Bertioga. Em números absolutos, a cidade com mais moradores em favelas do litoral é São Vicente, com 86,6 mil pessoas. Grande parte desses moradores fica próxima da Rodovia Padre Manuel da Nóbrega, que sai de Cubatão na direção da Praia Grande, última cidade da microrregião de Santos.

Ocupações têm indicadores melhores que área rural

LUCIANA NUNES LEAL E FELIPE WERNECK

Localizadas principalmente nas regiões metropolitanas, as favelas estão em grande desvantagem na comparação como" asfalto", mas apresentam alguns indicadores sociais melhores que a área rural. Renda e alfabetização são dois exemplos dessas disparidades no Censo 2010.
Enquanto metade dos moradores das favelas Brasileiras com 10anosoumaisdeidadetêmrenda mensal de até R$370, o valor nas áreas regulares urbanas dos municípios que têm favelas é 30% maior: R$510. Já o rendimento das áreas rurais dessas mesmas cidades é de apenas R$112mensais.Em78,2%dosdomicílios de favelas, os moradores têm renda per capita de até um salário mínimo mensal. Na área rural, a proporção supera a das favelas: 80%.
Em outro corte de renda, o Censo mostra que em 18% dos Domicílios de favelas os moradores vivem com até um quarto do salário mínimo por mês.Na área rural, porém, sobe para 27,7%. A taxa de analfabetismo é outro indicativo. Nas favelas brasileiras, 8,4% dos moradores com 15anosoumaisdeidadesãoanalfabetos.
No "as falto", o índice se Reduz à metade:4,2%.Mas o índice de analfabetismo das favelas é quase três vezes maior que da área rural e também supera a taxa nacional, de 9,6% na população de 15 anos ou mais.No Brasil rural, onde a proporção de jovens é semelhante à das favelas, 23% da população de 15 anos ou mais não sabe ler nem escrever.
Mais de 4mil municípios do País têm índice de analfabetos maior que os 8,4% das favelas.

Estudo indispensável para qualquer candidato em 2012

Análise: JOSÉ ROBERTO DE TOLEDO

Os candidatos a prefeito e a vereador nas eleições de 2012 deveriam ler com muita atenção o relatório que o IBGE divulgou sobre a favelização das metrópoles brasileiras. E não apenas porque vão precisar dos votos das pessoas que moram nessas áreas mais carentes das suas cidades.
O relatório mostra o tamanho e as características da desigualdade Entre quem mora na favela e quem leva a vida nos asfalto. A diferença de escolaridade, por exemplo, em geral, é mais significativa do que a diferença de renda.Mas o grande valor estratégico é o mapeamento que o IBGE faz das necessidades de cada uma dessas mais de 6mil comunidades pelo Brasil inteiro.
Isso porque, dentro de uma mesma cidade, há enormes diferenças entre favelas. Em algumas, a maior necessidade vai ser por esgoto. Em outra, água encanada. Em uma terceira, coleta de lixo.
Até para quem é candidato em uma cidade onde não há favela,o relatório divulgado ontem pelo IBGE é útil. Ele mostra como a vida de um favelado numa metrópole, na maioria da vezes, é melhor do que viver na área rural do interior do Brasil.

OESP, 22/12/2011, Metrópole, p. C4

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