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Autor: Ana Júlia Kamchen
22 de Mar de 2026
São José do Cerrito, na Serra Catarinense, começou a transformar em realidade o título de Capital Nacional das Casas Subterrâneas.
A cidade iniciou a construção de um protótipo inspirado nas habitações ancestrais Kaingang e Xokleng na última segunda-feira (17), com previsão de conclusão para este fim de semana.
Indígenas iniciam construção de casa subterrânea em São José do Serrito
Indígenas iniciam construção de casa subterrânea em São José do Serrito, na Serra CatarinenseVídeo: Associação dos Municípios da Serra Catarinense/@amuresregiao/Instagram
O modelo habitacional é utilizado há cerca de 1.100 anos pelos povos indígenas. A estrutura terá cerca de 36m² e estrutura circular, respeitando critérios culturais e espirituais.
A estrutura está sendo escavada em meio a um capão de mata com araucárias, próximo à Secretaria de Turismo e ao lado de um córrego.
A escolha do local seguiu critérios culturais e espirituais, definidos após ritual realizado por uma família da Aldeia Bugio, da comunidade Laklãnõ Xokleng, de José Boiteux, no Alto Vale do Itajaí.
"Escolhemos este lugar porque sentimos a presença dos nossos ancestrais aqui. Naquela pedra foi feito o mon, nossa bebida tradicional. Através dela, percebemos que eles passaram por aqui", relata Geramiel Ndjuplo de Almeida.
A casa subterrânea ficará a cerca de 1,60 metro abaixo do nível do solo e servirá como modelo para futuros empreendimentos turísticos em propriedades rurais da região, onde já foram identificadas diversas escavações ancestrais.
A execução do projeto está a cargo de três integrantes da comunidade Xokleng, com apoio de familiares e crianças que acompanham o trabalho. Para o grupo, a construção é uma forma de manter viva a memória de seus antepassados.
"Esse é o primeiro protótipo que a gente fez fora da nossa aldeia. É uma casa subterrânea, onde os nossos ancestrais viviam. Meu avô me disse que tinha que ser feito. Ele falou comigo através de visagens", conta Geramiel.
A casa subterrânea terá espaço interno pensado para reuniões e decisões comunitárias e telhado de palha, seguindo tradições culturais e espirituais dos povos indígenas.
Com o apoio da Prefeitura de São José do Cerrito, a ideia é que o protótipo se torne uma referência histórica e cultural, e ajude a manter viva a história e as tradições dos povos indígenas.
"Esta réplica será um incentivo para que proprietários de áreas com grande concentração dessas estruturas arqueológicas invistam em roteiros turísticos, gerando renda e oportunidades para a população", afirma Elisa Lima, secretária executiva da Adrel (Agência de Desenvolvimento da Região dos Lagos).
Capital Nacional das Casas Subterrâneas
O título de "Capital Nacional das Casas Subterrâneas" conferido a São José do Cerrito, foi iniciativa da então deputada federal Carmen Zanotto, visa valorizar a diversidade cultural e impulsionar o turismo e o desenvolvimento socioeconômico local.
São José do Cerrito concentra um expressivo número dessas formações arqueológicas. Estudos já identificaram, em áreas específicas, mais de 100 estruturas pré-históricas, com diferentes dimensões e profundidades entre 0,6 metro e 1,1 metro, evidenciando a existência de importantes assentamentos indígenas na região.
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