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12 de Jul de 2010
Por conta da grande demanda de atendimento e a limitação de profissionais na cidade, a Casa de Apoio à Saúde Indígena (Casai), mantida pela Fundação Nacional de Saúde (Funasa) para oferecer assistência médica especializada aos indígenas, está superlotada. A Folha foi ao local e constatou, através da lista médica apresentada pelo setor de enfermaria, uma média de 518 índios, entre pacientes e acompanhantes. A reportagem procurou o Serviço de Arquivamento Médico e Histórico da Casai para levantar a média de atendimentos nos últimos três anos, mas, como era final de semana, o setor estava fechado.
Segundo o enfermeiro de plantão da Casai, Neimar Silva, a superlotação é uma agravante, uma vez que a unidade não recebe somente os pacientes, mas também os familiares dos índios, até mesmo por uma questão cultural. "Somente neste final de semana, admiti aqui na Casai uma média de sessenta pessoas. Nós temos as nossas limitações, porém, não deixamos ninguém sem atendimento. Infelizmente não dá para fazer melhor, porque é muita gente", disse.
Conforme o enfermeiro, casos de doenças que poderiam ser tratadas na própria comunidade estão sendo atendidos na Casai. "Isso nos faz acreditar que o serviço na comunidade também deve estar prejudicado talvez por conta da grande demanda que tenha por lá. A demanda é grande, mas o serviço que temos é limitado. Há indígenas que quando chegam aqui e verificam a situação pedem para serem tratados na Casai, mas querem ficar morando na cidade, na casa de parentes, ou seja, eles já reconhecem a superlotação".
De acordo com ele, a Casa de Apoio à Saúde Indígena não tem estrutura para receber tantas pessoas. Ele informou que a unidade acolhe indígenas de vários lugares, como Guiana, Venezuela, Amazonas e regiões de Roraima, sem qualquer discriminação de raça, cor ou etnia. "Fazemos tudo para que as coisas melhorarem. Tentamos dar resolução aos problemas na medida do possível, dentro do ritmo que conseguimos fazer", explicou.
Além dos pacientes que se encontram internados na Casai, existem ainda aqueles que já tiveram alta, mas aguardam por um transporte para levá-los às suas comunidades. Muitos moram em localidades de difícil acesso e dependem da logística da Funasa para serem transportados de avião. "Essa lista de alta, às vezes, é um problema. Os índios demoram até três semanas para voltarem para casa e em contato com outros pacientes acabam novamente adoecendo e têm que ficar internado de novo", relatou.
Para que o indígena seja recebido na Casa de Apoio à Saúde Indígena, é preciso que este antes tenha sido avaliado por um profissional de saúde e que esteja com encaminhamento em mãos. "Geralmente tem indígenas que procuram a Casai porque acham que é uma casa de apoio para hospedagem como as que existem na cidade, e não é assim que funciona. Por isso é comum alguns índios reclamarem que não foram recebidos na Casai. Aqui recebemos apenas os que vêm encaminhados", ressaltou.
FUNASA - A assessoria de imprensa da Funasa informou que, devido à realização do Torneio de Aviação de Caça, da Base Aérea de Boa Vista, o espaço aéreo para pousos e decolagens de aviões de pequeno porte fechou na semana passada, o que atrapalhou a rotina de voos para as áreas indígenas. Informou ainda que a partir desta semana a situação será normalizada e os indígenas vão poder voltar para suas aldeias.
"Enquanto isso, a Casai está prestando todo o apoio necessário para os indígenas que lá estão, tanto no atendimento médico quanto alimentação. A média de atendimentos na unidade é de 350 pessoas diariamente", afirmou.(N.V.)
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