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Cartões de índios recolhidos pela PF

Correio do Estado-Campo Grande-MS
04 de Dez de 2001

A Polícia Federal de Dourados fez um levantamento em diversos mercados de Dourados e recolheu vários cartões de aposentadoria de indígenas, que se encontravam nestes estabelecimentos como garantia de pagamento de dívida. Existem denúncias de que alguns índios estariam sendo lesados nesse sistema e, além disso, reter documentos pessoais é uma prática ilegal.

Segundo o delegado Lázaro Moreira, os indígenas aposentados que fazem suas compras a prazo são obrigados a deixar o documento que comprova sua condição, como meio de garantir que a dívida será paga. No dia em que o dinheiro é depositado no banco, o indígena dirige-se à agência acompanhado de um representante da empresa, saca a aposentadoria e repassa o valor devido a seu fornecedor.

Em 1996, a Polícia Federal já teve problema com esse sistema e houve denúncias de que os índios estaria sendo lesados, ou seja, valores a mais eram cobrados, principalmente porque a maioria não sabe ler e escrever. Com isso, até a senha da conta é passada ao comerciante. Após o pagamento da dívida, ele faz nova compra e o cartão continua no estabelecimento.

Ontem diversos índios foram ouvidos na Polícia Federal e alertados sobre a ilegalidade na vinculação da venda à retenção de um documento. Lázaro Moreira acredita que se trata de um sério problema onde, se comprovado qualquer tipo de prejuízo aos índios, os acusados serão também ouvidos e consequentemente indiciados em inquérito e devidamente punidos.

Para as lideranças indígenas, uma das formas de evitar qualquer problema dessa natureza seria a criação de uma cooperativa, mas isso, de acordo com a Funai, depende de custos e uma estrutura considerável. Entretanto, o órgão não teria de imediato uma verba disponível para essa finalidade. Está sendo sugerida uma reunião entre os líderes, a Funai e a Polícia Federal, para estudar um mecanismo que permita ao índio fazer suas compras, mas sem a necessidade de deixar documentos como garantia

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