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Carpas para limpar o Paranoá

CB, Cidades, p. 36
12 de Mai de 2005

Carpas para limpar o Paranoá
Espécie que se alimenta do material orgânico em suspensão é capaz de filtrar mais de três mil litros de água por dia. Mais de 20 mil peixes já estão nos tanques instalados às margens do lago

Helena Mader
Da equipe do Correio

O Lago Paranoá vai receber um projeto pioneiro de despoluição, que alia benefícios ambientais com desenvolvimento social. O primeiro parque aqüícola de lago urbano do país será inaugurado até o final do mês ao lado da Estação de Tratamento da Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb), na Asa Sul. A iniciativa deve gerar mais de 30 empregos e incentivar a psicultura no DF.
Mais de 20 mil carpas prateadas já estão nos tanques instalados às margens do Paranoá. Esta espécie de peixe, de origem chinesa, se alimenta do material orgânico em suspensão. Cada carpa é capaz de filtrar mais de três mil litros de água por dia, retirando o fósforo eliminado pelo poluentes despejados no espelho dágua. A espécie não precisa de ração e vive exclusivamente da filtração de algas e impurezas.
Os tanques foram construídos em uma área de 78 hectares do Lago Paranoá, no braço do Riacho Fundo. A área é a única que resistiu ao trabalho de despoluição, e ainda sofre com o lançamento de esgoto clandestino. Mais de 95% do espelho dágua já estão limpos, mas neste local ainda há resquícios de poluição. Por isso as carpas foram colocadas exatamente nesta área do Paranoá.
O projeto é uma parceria da Caesb com a Secretaria Especial de Aquicultura e Pesca da Presidência da República (Seap). A instalação dos tanques foi financiada pelo governo federal e custou R$ 54 mil. A Caesb será responsável pela manutenção da infra-estrutura e pelos funcionários que cuidarão dos tanques e das carpas.
O diretor de Monitoramento e Controle da Bacia do Lago Paranoá (PAD), Fernando Starling, pesquisa a utilização de peixes para despoluição há mais de 20 anos. Ele garante que o projeto é economicamente viável e que a instalação dos tanques pode beneficiar a população que utiliza o espelho dágua. O uso de 2% da área do braço do Riacho Fundo com o cultivo de carpas é suficiente para eliminar todo o fósforo despejado nesta região, oriundo de esgotos clandestinos”, explica Starling.
Reprodução
As carpas não se reproduzem naturalmente em águas paradas, o que assegura o controle da população de peixes. Assim, não há risco de uma reprodução descontrolada no Lago Paranoá, como já ocorreu com as tilápias. Como a espécie não se alimenta de ração, o custo de manutenção dos tanques é muito baixo.
O Programa de Biomanipulação no Lago Paranoá foi criado em 1999. A primeira medida para despoluir o espelho dágua foi o controle da população de tilápias. Para isso, a Caesb fez parceria com pescadores e incentivou a pesca da espécie e o Ibama autorizou a pesca profissional no lago. A iniciativa deu certo e agora o governo quer ampliar o cultivo de carpas para melhorar a qualidade da água no braço do Riacho Fundo.
O cultivo das carpas será feito em parceria com a Universidade Católica de Brasília (UCB). Alunos e professores do curso de Engenharia Ambiental estão usando os tanques da Caesb para pesquisar os benefícios ecológicos da iniciativa.
Os participantes do projeto acreditam que, além das vantagens para o meio ambiente, o programa pode trazer também desenvolvimento social. A Federação de Pequenos Produtores Rurais do Distrito Federal e Entorno (Feprorural) elaborou o projeto do cultivo ecológico de carpas prateadas e o apresentou à Secretaria Especial de Pesca e à Caesb. Com a aprovação do planejamento, a entidade quer agora ampliar o cultivo de carpas para pequenos psicultores.
O presidente da Feprorural, Agnaldo Pereira, garante que o projeto de cultivo dos peixes pode gerar entre 30 e 50 novos empregos. A idéia é oferecer incentivos aos pescadores, para que eles passem a cultivar as carpas. " Para o produtor, a iniciativa é economicamente viável, porque esta espécie não precisa de ração. A carne da carpa tem um ótimo sabor, além de uma textura agradável", garante.

CB, 12/05/2005, Cidades, p. 36

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