VOLTAR

Capacidade de transmissão de energia pode se esgotar em 2019

Valor Econômico, Brasil, p. A4
22 de Set de 2015

Capacidade de transmissão de energia pode se esgotar em 2019

Rodrigo Polito

O sistema elétrico brasileiro pode enfrentar o esgotamento da capacidade de transmissão do Norte, onde estão localizadas grandes hidrelétricas, para o Sudeste e Sul, principais centros consumidores, em 2019.
Segundo alerta feito ontem pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), na prática, a rede de transmissão não seria suficiente para transportar toda a energia que será gerada no Norte nesse período, com a entrada em operação da hidrelétrica Belo Monte, de 11.233 megawatts (MW) de capacidade, no rio Xingu, no Pará.
"Provavelmente não teremos condições para escoar toda a energia [do Norte] durante o período chuvoso", afirmou ontem Marcelo Prais, assessor da diretoria-geral do ONS, em conferência internacional de energia da Câmara de Comércio Americana do Rio de Janeiro (Amcham Rio). "Se não tivermos leilões de transmissão que deem conta dessa sinalização [de necessidade de novas linhas], poderemos ter dificuldade de escoamento mais para o fim do quinquênio [2015-2019]."
O especialista do ONS lembrou que leilões recentes não tem atraído o interesse dos investidores para todos os lotes de transmissão que são ofertados. Para mitigar o problema, Prais também defendeu proposta que vem sido levantada pelo diretor-geral do órgão, Hermes Chipp, de realização de leilões de geração por região, estimulando a construção de outras usinas, principalmente térmicas, no Sul, por exemplo, região que possui déficit estrutural de energia.
Questionado sobre o tema, o presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim, presente ao evento, minimizou o problema. Segundo ele, há uma grande quantidade de projetos de linhas de transmissão enviada para a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) pronta para ser licitada.
O presidente da EPE também afirmou que o risco de racionamento de energia no Nordeste este ano é zero. Segundo ele, a garantia de atendimento à região, que atravessa uma seca severa, é baseada principalmente por termelétricas e usinas eólicas que entraram em operação nos últimos anos.
"Estamos passando por uma seca terrível, mas o risco de racionamento [no Nordeste] é zero, justamente por causa das térmicas que entraram [em operação] lá e por conta das eólicas. Em alguns dias as eólicas geram um pouco mais que hidrelétricas e térmicas. E eólicas e térmicas juntas estão gerando quase dois terços da energia do Nordeste", disse o executivo.
Reportagem publicada ontem pelo Valor informou que, segundo especialistas do setor, o nível dos reservatórios das hidrelétricas do Nordeste pode chegar a menos de 10% em novembro, devido à escassez de chuvas, provocada pelo "El Niño", com possibilidade de apagões na região. O fenômeno climático pode ainda estender a falta de chuvas na região para 2016. "O Nordeste já tem há três anos uma seca enorme e, eventualmente, o El Niño pode tornar o ano que vem também seco", afirmou Tolmasquim.
Prais também descartou a possibilidade de déficit no abastecimento de energia no Nordeste em 2015, porém admitiu que o nível dos reservatórios da região pode não chegar a um limite confortável para o próximo ano.
"Temos plenas condições de atender à carga do Nordeste sem interrupção, mas chegando ao fim do ano com um nível de armazenamento provavelmente não tão confortável como o da região Sudeste. Não vislumbramos questões de suprimento em 2015. A questão é como vai se configurar o próximo período chuvoso", explicou.
Sobre a interrupção no fornecimento de energia ocorrido no domingo no Acre e Rondônia, o ONS informou, em relatório técnico, que o problema ocorreu por falhas nos sistema de transmissão que conectam os dois Estados ao sistema nacional.

Valor Econômico, 22/09/2015, Brasil, p. A4

http://www.valor.com.br/brasil/4234826/capacidade-de-transmissao-de-ene…

As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.