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Campanha pela homologacao da Terra Indigena Raposa Serra do Sol

Conselho Indígena de Roraima-Boa Vista-RR
24 de Out de 2001

Exercito intensifica construcao de quartel na Raposa Serra do Sol

Enquanto a Justica nao julga o merito da Acao proposta pelas comunidades da terra indigena Raposa Serra do Sol, contra a instalacao do 6o Pelotao
Especial de Fronteiras - em Uiramuta - o Exercito Brasileiro continua a construcao em ritmo acelerado. Desde 25 de julho, quando foi colocada a "pedra fundamental", maquinas e homens estao baseados nas cercanias da aldeia para edificar o aquartelamento. As escavacoes e alicerces dos predios
estao concluidos.
A presenca do quartel tao proxima a aldeia e mais um capitulo da intransigencia do governo brasileiro e de segmentos militares antiindigenas que negam-se a qualquer dialogo para a definicao - em consenso -de local mais afastado da aldeia para se edificar aquela unidade militar.
Lideres indigenas da regiao das Serras denunciam que a presenca do Exercito tem incentivado a invasao e o trânsito de garimpeiros pelas aldeias. Dois incidentes envolvendo garimpeiros e indigenas foram registrados nos ultimos
meses na maloca Lage, proxima oito quilometros do quartel. No dia 2 de agosto, os indios desta comunidade fizeram refens 12 garimpeiros e a Policia Federal e Funai foram acionadas para retira-los da terra indigena.
Exercito, posseiros e politicos tambem patrocinam divisoes entre os indios com o objetivo de enfraquecer a resistencia contra a implantacao da unidade militar. No dia 10 de outubro, o posseiro Zelio Mota, pai da prefeita de Uiramuta, Floranir Mota, acompanhou tres caminhoes militares ate a aldeia Urinduk ( 30 quillometros ao norte do Pelotao), onde descarregaram materiais para a construcao de uma escola, alem de duas geladeiras, um televisor, um video e um quadro negro.
A comunidade nao aceitou os materiais, pois ja havia se planejado para construir um "barracao" onde funcionara a escola. Porem, os militares
convenceram dois membros da aldeia (Juvencio e Percides) a ficarem com o material e equipamentos. Os dois indigenas ameacaram criar outra aldeia, se a "doacao" nao fosse aceita.
A partir da construcao do 6o PEF, aumentaram os empreendimentos que incidem na Raposa Serra do Sol, financiados pelo Programa Calha Norte, favorecendo o
"desenvolvimento" de ocupacoes nao indigenas, principalmente, antigas vilas de sustentacao à garimpagem ilegal, prejudicando assim, a organizacao socio-cultural-ambiental e territorial indigena, gerando conflitos e divisoes.
Os povos indigenas ja perderam grande parte de seu habitat, mas resistem às novas formas imperialistas de colonizacao. As comunidades de Raposa Serra do Sol, amparadas pela Constituicao Federal, reivindicam a homologacao em area
unica de suas terras e exigem da Uniao Federal a protecao do territorio e todos os seus bens. O atraso na hologacao e o principal causador de conflitos envolvendo indigenas, posseiros, politicos e militares.
Os povos macuxi, wapichana, ingariko e taurepang, habitantes imemoriais de Raposa Serra do Sol tentam proteger suas culturas e tradicoes, mas as investidas do governo estadual, deputados, senadores e prefeitura de Uiramuta, apoiados pelo Exercito Brasileiro, dao àquele chao fronteirico um
carater de iminente campo de batalha, onde os indios sao as unicas vitimas.

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