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Caminhoneiro é seqüestrado por índios da etnia Tenharim

Diário da Amazônia-Porto Velho-RO
06 de mar de 2006

Munidos de espingardas, os Tenharim tomaram o caminhão do motorista e afirmaram que só o devolverão com o pagamento de R$ 10 mil

O caminhoneiro Jafre Rangel de Souza, de 25 anos, diz ter nascido de novo, após ter escapado com vida de um seqüestro ocorrido no último dia 18 que durou cerca de 20 horas e lhe custou o caminhão Mercedez (placa BWQ-2668-SP). A situação é uma típica amostra da violência urbana que sufoca as cidades, mas aconteceu no quilômetro 120 da BR-230, a chamada Transamazônica, próximo ao município amazonense de Humaitá. Os algozes do motorista eram indígenas da etnia Tenharim, que o fizeram sair do veículo sob a mira de espingardas, algumas empunhadas por crianças, e só o liberaram com a chegada do administrador substituto da Funai, Osman Brasil. Mais: durante as horas de agonia, os índios lavraram um documento a que chamaram de relatório de ocorrência e impuseram a devolução do veículo sob a condição do pagamento de R$ 10 mil.
A ação, que configura extorsão mediante seqüestro e cárcere privado, seria o preço por não ter dado carona aos Tenharim. O episódio tem relevância porque joga um feixe de luz em um novo conflito ente índios e brancos que começa a nascer na região.
"Todos diziam que tive sorte de ter saído com vida", lembra a vítima. Agora liberto, Jafre Rangel quer reaver o veículo, mas diz não conseguir apoio da Funai, nem da Polícia Federal. "Pagar para ter meu caminhão de volta é um absurdo. Sou um trabalhador. Meu direito de ir e vir e executar minha profissão precisa ser respeitado", reclama o motorista que mora em Apuí (AM) e transporta produção de agricultores para a Capital. "O administrador substituto da Funai disse apenas para eu procurar meus direitos e a Polícia Federal, que nem queria me ouvir, fez somente um termo de depoimento", diz.
O caminhoneiro afirma que a ação dos índios é, na verdade, uma vingança. O fato está registrado, inclusive, no termo de ocorrência feito pelos indígenas. Ele conta que no dia 12 de fevereiro, ao passar pela BR-230, no quilômetro 120, nas proximidades da aldeia Vila Nova, deu carona a cerca de 10 pessoas, entre elas alguns índios. Alguns quilômetros adiante, o veículo teria atolado e o grupo teria deixado o motorista sozinho para tomar banho em um igarapé. Aborrecido por não ter recebido ajuda, Jafre diz ter decidido não mais dar a carona. Dias depois, veio a retaliação. "Estava chateado, quando neguei a carona e isso não lhes dava o direito de fazer um bloqueio no meio da estrada, munidos de arma para me tirar do veículo e ficar com ele", destaca.
Preocupado com a carga que transportava, 14 toneladas de milho, que estavam sob sua responsabilidade e são estimadas em cerca de R$ 6 mil, o caminhoneiro ingressou na Justiça Federal com um mandado de busca e apreensão do veículo, do qual ainda não obteve resposta. "Preciso de ajuda das autoridades. O caminhão é meu instrumento de trabalho. Essa situação tem quer resolvida", desabafa.

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