O Globo, Ciência, p. 38
12 de Dez de 2007
Caminho para lugar algum
Reunião do clima chega à reta final sem perspectiva de acordo significativo
Gilberto Scofield Jr. Enviado especial o BALI
Nem o bolo de aniversário gigantesco preparado pelo Greenpeace para comemorar o aniversário de 10 anos do Protocolo de Kioto, nem a reunião paralela de ministros das finanças reunidos em Bali conseguiram superar a polêmica sobre a fixação de metas concretas para o corte de emissões de gases do efeito estufa por países desenvolvidos no acordo que vai substituir o de Kioto a partir de 2012. Elas ficarão de fora do chamado mapa do caminho de Bali, o documento final da reunião.
Diante da recusa de países ricos, como EUA, Japão e Canadá, de aceitar metas numéricas agora, a saída foi fixar um prazo para a definição dessas metas. Num rascunho que ganhou a aprovação da maioria dos delegados presentes à Convenção do Clima das Nações Unidas, os países ricos se comprometem a divulgar metas adicionais de cortes em 15 de fevereiro de 2009, na próxima reunião da convenção, em Copenhague, para serem adotados a partir de 2012.
Ainda que a estratégia seja considerada um recuo por muitos, na verdade ela permite a entrada, neste estágio da convenção, de países que se recusam a aceitar números agora, ao mesmo tempo em que fixa um prazo final para a divulgação de metas adicionais de corte, com tempo suficiente para novas discussões internas.
- A inclusão de números neste estágio do processo é prematura e pode comprometer as negociações futuras - disse o principal negociador dos EUA, Harlan Watson.
UE defende metas ambiciosas
A voz dissonante - e de maior peso - veio da União Européia, que defende a adoção de metas ambiciosas de redução de emissões pelos países industrializados.
O comissário europeu de Meio Ambiente, Stavros Dimas, disse ontem que "é crucial" que as 35 nações mais desenvolvidas do planeta reduzam suas emissões entre 20% e 40% a partir de 2020 se quiserem que as temperaturas do planeta não aumentem mais do que dois graus Celsius - um limite considerável aceitável.
- A ciência nos diz que essas reduções são necessárias - disse Dimas. - A lógica requer que prestemos atenção à ciência.
Todos os países membros da UE se comprometeram a baixar suas emissões de 20% a 30% em relação aos volumes de 1990 antes de 2020.
Eles aceitam ampliar esses percentuais se outras nações ricas participarem do pacto.
A Alemanha é o exemplo mais emblemático do bloco. O país é um dos grandes emissores do planeta, mas também o que mais avançou na redução das emissões de gases do efeito estufa. O chefe da delegação alemã, Nicole Wilke, comemorava o índice de 21% no corte de emissões em relação aos valores de 1990 que o país atingirá este ano.
Pressão de ambientalistas
Trata-se de um percentual bem acima dos 5,2% acertados pelos 36 países ricos que fazem parto do chamado Anexo 1 do Protocolo de Kioto como um objetivo a ser atingido em 2012. Bem além também do corte de 8% para 2012 estabelecido especificamente para a Alemanha.
Os ambientalistas também pressionaram pela adoção de metas claras no encontro de Bali. Eles temem que o documento final da reunião seja fraco demais sem esses compromissos:
- Há uma certa falta de urgência no texto, que pode acabar bastante diluído afirmou Stephen Campbell, do Greenpeace.
Mas o próprio secretário-executivo da conferência, Yvo De Boer, afirmou que tais metas concretas não serão alcançadas nesta reunião. Segundo ele, os percentuais de redução de 20% a 40% são uma "diretriz, não um objetivo" pelos quais os países devem se orientar por eles.
De Boer frisou que nesta reunião não serão fixadas metas de redução de emissões. A idéia é elaborar um plano de ação para as negociações que começam em 2008 com o objetivo de alcançar, em 2009, um acordo que substitua Kioto a partir de 2012.
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O Globo, 12/12/2007, Ciência, p. 38
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