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Câmara aprova Estatuto da Igualdade Racial

OESP, Nacional, p. A13
10 de Set de 2009

Câmara aprova Estatuto da Igualdade Racial
Para destravar proposta, relator excluiu artigo sobre regularização de terras de quilombolas

Marcelo de Moraes

Um acordo com a bancada ruralista garantiu ontem a aprovação do Estatuto da Igualdade Racial na Câmara, após quase dez anos de tramitação. Para destravar a proposta, o deputado Antônio Roberto (PV-MG), relator do projeto, aceitou excluir um artigo que tratava da regularização de terras para remanescentes de quilombos.

Na visão da bancada ruralista, o artigo abria brechas para futuras ocupações por quilombolas de áreas com produção agrícola. "Na minha avaliação, não havia problema. Mas como a Constituição já trata do assunto dos quilombolas, preferi negociar o acordo retirando o artigo e garantindo a aprovação do estatuto", disse o parlamentar.

O estatuto abre mais espaços institucionais para os negros. Pelas regras, os partidos passam a ser obrigados a destinar aos negros 10% de suas vagas para candidaturas nas eleições proporcionas. A proposta original era de que esse valor fosse elevado para 30%, igual à cota definida para mulheres.

O estatuto passa a exigir do sistema público de saúde que se especialize no tratamento de doenças mais características da raça negra, como a anemia falciforme. "A ideia é que o sistema se volte obrigatoriamente para a questão negra. Hoje, por exemplo, não existe sequer ensino nas universidades de especializações na anemia falciforme", cita Antônio Roberto.

Na área de educação, passa a ser obrigatória a inclusão, no currículo do ensino fundamental, de aulas sobre história geral da África e do negro no Brasil.

Outra novidade é o incentivo fiscal que o governo poderá dar para empresas com mais de 20 funcionários e que decidirem contratar preencher pelo menos 20% do quadro com negros.

"PONTO DE PARTIDA"

"Esse estatuto é como um bico de arado. Ele não é um ponto de chegada. É um ponto de partida. O racismo no Brasil nem é individual. Ele é institucional. Todo mundo tem amigos negros, se relaciona, trabalha. Mas você não vê presença significativa no Congresso, Judiciário, nas universidades, nos bons empregos", afirma o relator.

A bancada ruralista aceitou apoiar a votação do estatuto em caráter terminativo. Ou seja, permitindo que a proposta siga diretamente para o Senado, sem ser submetida à aprovação pelo plenário da Câmara.

O relator preferiu não mexer em outra questão polêmica, como a cota para alunos negros das escolas públicas, que teriam acesso a vagas nas universidades. Como já existe um projeto sobre o assunto no Senado, o relator entendeu que a discussão desse item poderia atrapalhar a aprovação do texto.

Principais pontos

Partidos são obrigados a reservar 10% de suas candidaturas para negros nas eleições proporcionais. Hoje só há reserva para mulheres

Sistema de saúde terá de garantir tratamento e especialização em doenças mais comuns na raça negra, como anemia falciforme

Currículo do ensino fundamental terá aulas de história geral da África e história do negro no Brasil

OESP, 10/09/2009, Nacional, p. A13

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