A Gazeta-Rio Branco-AC
Autor: Silvânia Pinheiro
15 de Mai de 2003
O deputado estadual Luiz Calixto (PDT) irá protocolar na próxima segunda-feira, 19, denúncia no Ministério Público Federal solicitando investigação sobre a doação de R$ 1 milhão feita pela empresa paranaense, Red Madeiras Tropicais ao governo do Estado do Acre para o Programa Fome Zero. O parlamentar questionou a idoneidade da empresa na sessão de ontem na Assembléia Legislativa depois de obter informações de que a mesma madeireira vem sendo denunciada no Brasil por comprar madeira de empresas ligadas a "Máfia do Mogno", que agiria em terras públicas e indígenas da região amazônica.
Os jornais Estado de São Paulo, Correio Braziliense e Folha do Paraná veicularam matérias no último dia 13 de maio em seus sites informando a realização de um protesto promovido pelos integrantes do movimento ambientalista Greenpeace. O protesto aconteceu no portão principal da sede da empresa em São José dos Pinhais, na região metropolitana de Curitiba e durou cerca de sete horas. "A doação feita por uma empresa como esta é, no mínimo, duvidosa. Portanto, irei comunicar a ficha corrida dessa empresa a ministra Marina Silva, ao MPF e solicitarei uma investigação rigorosa sobre esse assunto", disse Calixto.
Em matéria publicada no jornal A GAZETA, a empresa Red anunciou semana passada que pretende firmar um compromisso com o governo do Acre, destinando parte do seu faturamento para os programas sociais do governo federal desenvolvidos na região. Um dos principais objetivos da empresa é de implantar indústrias de beneficiamento de madeira nas cidades de Sena Madureira e Assis Brasil, envolvendo um processo de desenvolvimento que prevê a aquisição de 250 mil hectares de floresta, captação e preparação de mão-de-obra, geração de divisas e investimentos na região.
Na tribuna da Aleac, o deputado Luiz Calixto chamou atenção para as ameaças que a empresa representa para a preservação do meio ambiente. De acordo com as denúncias do Greenpeace, a Red tem um depósito no Paraná abarrotado com mais de 14 mil metros cúbicos de mogno destinado a exportação e avaliado em mais de US$ 20 milhões no mercado internacional. Segundo o movimento ambientalista, a empresa adquiriu 82% do mogno de 2001 das empresas ligadas a máfia que opera no Estado do Pará.
Mesmo suspeitando da empresa, Luiz Calixto sugere ao governo do Estado que aceite a doação oferecida ao Estado do Acre por se tratar de combate a fome de milhares de famílias acreanas, mas não pretende deixar de lado as investigações sobre a atuação da Red no Estado. Entre as empresas acusadas de explorar mogno ilegalmente estão a Pau Brasil, Madeireira Castelo, Jatobá, Serra Dourado e Milenium, sendo que todas foram multadas quinze vezes em 2001 por exploração e transporte ilegal de mogno. O mogno extraído da região amazônica estaria sendo levado para países como a Inglaterra e os Estados Unidos da América (EUA).
O OUTRO LADO
O proprietário da empresa Red Madeiras Tropicais, Perito Garcia foi procurado ontem pela reportagem de A GAZETA e disse que as denúncias contra sua empresa não procedem. "Prova disso é que existem algumas denúncias contra a Red há cerca de dois anos e até hoje nada foi provado. Isso mostra que alguém falou demais e não agiu de forma coerente e pelo bom senso", disse.
Segundo ele, os objetivos das instalações da empresa Red no Acre são totalmente sociais. Para o empresário, o Acre apresenta uma política de manejo florestal identificada com a empresa, o que facilitaria os investimentos em geração de emprego e renda no Estado. "Eu acho que o Acre tem que olhar para frente. A nossa empresa está trabalhando um projeto de investimentos que acredito que é necessário para todos os acreanos, temos a previsão de gerar cerca de 500 empregos no Estado, mas esse tipo de recepção afugenta qualquer trabalho que possa ser projetado para o Estado", concluiu Perito afirmando que não pretende polemizar o assunto e muito menos, dar conotação política aos trabalhos e serviços realizados pela sua empresa.
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