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Cada caixão de mogno, três índios isolados

Kaxiana - http://www.kaxi.com.br/noticias.php?id=1131
17 de Mar de 2009

"O mundo precisa saber que cada americano que se enterra em um caixão de mogno, junto vai uns três índios isolados". A sentença é do sertanista da Funai, José Carlos dos Reis Meirelles, responsável pela proteção dos índios isolados do Acre, ao comentar a denúncia feita pela ONG Survival International de que os índios isolados do Peru estão sendo empurrados para o território brasileiro pela ação ilegal de madeireiras daquele país vizinho.

"A evidência mais forte de que esses índios foram expulsos de suas terras é que eles estão roubando mudas de banana e de mandioca da gente. Isso significa que eles saíram correndo, e não têm nem banana para plantar, porque estão com medo de ir buscar as mudas. Eles estão sem o que comer", alertou o indigenista, confirmando ao Portal G1, da TV Globo, as informações do relatório da ONG internacional.

Segundo a organização, a exploração madeireira na floresta peruana ocorre principalmente para a retirada do mogno. A madeira, uma das mais valiosas da Amazônia, é proibida de ser cortada no Brasil porque as árvores de mogno correm risco de extinção. Para o sertanista Meirelles, a única solução para o caso é o fim do consumo dessa madeira nobre. "Enquanto houver gente disposta a pagar uma fortuna pela madeira, vai haver gente tirando mogno de onde for", disse.
A Survival International pede ao governo peruano, em seu relatório, que expulse as madeireiras e não permita que ninguém entre na área para explorar recursos naturais, pois os índios correm risco de extinção e podem morrer de doenças comuns, como a gripe, se entrarem em contato com brancos. Um desses desastrosos encontros, de acordo com a Survival, ocorreu em meados dos anos 1990, quando a tribo peruana Murunahua foi invadida por cortadores de mogno e as doenças trazidas mataram pelo menos metade dos membros da comunidade.

José Carlos Meirelles assinalou que, como a região é tomada por florestas, precisa trabalhar com evidências para descobrir o que ocorre dentro da mata. Recentemente, objetos boiando no rio mostraram que a atividade madeireira ocorre a todo vapor na região, pois foram encontradas várias pranchas de mogno, além de galões de óleo. Segundo o sertanista, as marcas da chegada dos índios isolados peruanos também são muitas.

Meirelles disse colecionar flechas utilizadas por essas tribos, e já foi alvo de algumas delas. "Eles não sabem distinguir a gente dos madeireiros", assinalou. O sertanista recordou que há pelo menos três tribos que vivem sem contato. A região é protegida por reservas, mas Meirelles teme que ocorra um conflito entre os próprios indígenas isolados, já que os peruanos supostamente não reconheceriam as tribos brasileiras.

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