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Bucha vegetal ganha o exterior

OESP, Negocios, p.B10
19 de Set de 2005

Bucha vegetal ganha o exterior
Projeto tocado por ex-trabalhadores sem-terra no interior paulista atrai a atenção de outros países
Chico Siqueira
Um projeto de desenvolvimento sustentável mantido por ex-trabalhadores rurais sem-terra faz bem para a pele das damas de Paris, de jovens universitárias americanas e de brasileiras que freqüentam casas de banho, salões de estética e spas de São Paulo e do Rio de Janeiro.
Esponjas, saboneteiras esfoliantes, tapetes e até lingeries feitas de buchas vegetais são produzidas por famílias de sem-terra assentadas em Mirante do Paranapanema (SP), na região de maior conflito agrário do País. Uma parceria com a Natura e o Projeto Eco Buchas enviou neste ano 1,2 mil esponjas e outros produtos extraídos da bucha vegetal para serem comercializados na loja da fabricante de cosméticos em Paris.
Outras 6 mil peças ficaram em shopping centers e estabelecimentos de beleza e estética do Rio e de São Paulo. Cada bucha foi vendida pelas famílias a R$ 3, as saboneteiras a R$ 5,50 e os tapetes variaram de R$ 30 a R$ 280, dependendo do tamanho.
Iniciado há um ano e meio no assentamento Che Guevara, o projeto Eco Buchas deve atender a todas as 40 famílias do lugar num prazo de 5 anos, segundo Valentim Messias Degásperi, um dos idealizadores e coordenador do projeto no assentamento. Atualmente, o projeto é mantido por 10 famílias, que trabalham desde a montagem e plantio nos viveiros até a confecção, embalagem e venda dos produtos.
Saudáveis e ecologicamente corretas, as esponjas são recomendadas por dermatologistas para o tratamento da pele, por remover, com propriedades esfoliantes naturais, as células mortas enquanto massageia a pele. O produto é defendido por ambientalistas por não agredir o meio ambiente: trata-se de um produto de decomposição orgânica, ao contrário das esponjas artificiais.
Por isso, o projeto é parte de um programa de desenvolvimento sustentável com foco nas áreas de educação, social, ambiental e econômica, além de auxiliar na fixação do homem no campo. As esponjas são em formatos de animais em extinção no País, como o mico-leão-preto, que foi dizimado das matas da região do Pontal, um dos seus habitats. Nas embalagens constam as informações sobre os bichos.
INVESTIMENTO
Os recursos obtidos com as vendas para a França, cerca de R$ 7 mil, foram aplicados em cursos de administração rural, de educação ambiental e diversificação de produção das propriedades. Além disso, os recursos bancam a manutenção de projetos alternativos, como o plantio de palmito em agroflorestas e formação de bosques de biodiversidade para criação de abelhas e plantio de café”, diz Degásperi.
O sucesso da iniciativa atraiu interesse da Universidade da Flórida, nos Estados Unidos, que acabou comprando cerca de mil esponjas, para uso e também para pesquisas. No Brasil, o Grupo Abril comprou outras 5 mil esponjas para presentear seus clientes. Para o ano que vem, a expectativa na região é ampliar a área de plantio, dos 2 hectares da safra atual, quando foram colhidas 12 mil buchas, para 5 hectares, quando se espera colher 40 mil peças.
OESP, 19/09/2005, p. B10

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