OESP, Metrópole, p. C7
23 de Mar de 2006
Briga para despoluir o Pinheiros
MP e governo buscam acordo para começar sistema de flotação
Bárbara Souza
Um acordo entre o Estado e Ministério Público (MP) pode dar à Empresa Metropolitana de Águas e Energia (Emae) o direito de iniciar um teste de flotação no Rio Pinheiros e bombear sua água para a Represa Billings. Uma decisão judicial, com base em ação do MP, impede a realização dos testes por enquanto. Mas, de acordo com o promotor ambiental Geraldo Rangel, a Emae poderá iniciar o processo se cumprir todas as exigências feitas pela promotoria. "Será feito um mapeamento completo dos Rios Tietê e Pinheiros e da Represa Billings. É um processo inédito no Brasil", explicou o promotor.
Rangel quer um detalhado Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e Relatório de Impacto Ambiental (Rima), além da criação de uma sala de gerenciamento na Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP). As exigências do MP estão detalhadas em um relatório com mais de 70 páginas.
Disso também depende a confirmação de uma parceria entre a Emae e a Petrobrás, que arcaria com os custos do projeto em fase de testes. Só o início das operações custaria, segundo a Emae, cerca de R$ 20 milhões, durante seis meses. A idéia, de acordo com o diretor de geração da empresa, Antonio Bolognese, é que a Petrobrás entre com a verba e a Emae com a parte de operação, manutenção e fornecimento de energia.
O sistema de flotação consiste na remoção de resíduos sólidos, que ficarão suspensos nas águas do Rio Pinheiros. No primeiro momento, 10 metros cúbicos por segundo serão tratados na estação experimental de Pedreira, na zona sul.
Depois, se o projeto for aprovado, a idéia é fazer o sistema funcionar em sete estações ao longo do rio, num volume de 50 metros cúbicos por segundo. Nessa fase, as águas tratadas pelo sistema serão lançadas na Represa Billings, para geração de energia elétrica na Usina Henry Borden, em Cubatão.
A flotação no Pinheiros é testada desde 1999, numa estação piloto, onde são criados peixes. Mas, para o promotor Rangel, a amostra não reflete a realidade. "Por enquanto, a flotação se baseia em suposições", disse.
Para o gerente da empresa, não há dúvidas de que o processo dará certo. "Para afastar a hipótese de periculosidade, vamos fazer tudo como manda o figurino, como o MP está exigindo."
OESP, Metrópole, 23/03/2006, p. C7
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