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Braskem disputará hidrelétricas

OESP, Economia, p. B4
13 de Mar de 2010

Braskem disputará hidrelétricas
Empresa quer garantir parte do suprimento de energia de suas fábricas e estuda disputar o leilão de Belo Monte

Kelly Lima

A Braskem quer entrar na área de geração de energia e para isso vai disputar leilões de hidrelétricas que ocorrerem em 2010, disse ontem o diretor financeiro Carlos Fadigas.

Segundo ele, a empresa quer produzir parte da energia que usa, principalmente para garantir fornecimento para sua área de PVC, que consome muita energia. De acordo com Fadigas, o consumo da Braskem é bastante fragmentado e isso dificulta a geração própria.

O diretor não descartou a possibilidade de a empresa disputar um porcentual pequeno da usina de Belo Monte, que será leiloada em abril.

Ele, no entanto, não deixou claro se a companhia entraria no consórcio de sua controladora, a Odebrecht, que compôs parceria com a Camargo Corrêa. O outro consórcio prevê a presença da Vale, juntamente com Neoenergia, Andrade Gutierrez e Votorantim.

"Fomos procurados pelos dois consórcios. Nossa presença seria, a exemplo da Vale, pequena e visando à autoprodução", disse. Indagado sobre uma possível pressão do seu sócio controlador, a Odebrecht, para participar do consórcio que ela integra, Fadigas brincou: "A Odebrecht é suficientemente capaz de disputar um leilão sem a Braskem. Não vejo como 5% de nossa participação pode fazer a Odebrecht ter mais força para ganhar o leilão".

Ainda sobre a área de PVC, maior consumidora de energia da Braskem, ele destacou que a companhia pretende investir em uma unidade específica em Alagoas. "Lá temos matéria-prima suficiente para suprir nossas necessidades." O projeto básico desse investimento deverá ser levado ao Conselho de Administração da companhia até o fim do primeiro semestre.

COMPERJ

Fadigas completou que, por causa desses investimentos, a Braskem vai abrir mão de participar da composição acionária da unidade de PVC do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj). Também ficará de fora da unidade de óxido de eteno do Comperj, que deverá contar com a participação da Ultrapar (Grupo Ultra), controladora da Oxiteno.

Com isso, a Braskem deve ficar com a área de Poliolefinas do Comperj, já que é a única interessada, além de ser a candidata natural à unidade de PTA e PET, por participar de projetos semelhante a esse com a Petrobrás, em Suape.

Orçado em US$ 8,4 bilhões, o projeto do polo passou por mudanças para ficar mais atrativo, informou Fadigas, que participou de conferência com investidores no Rio. A ideia inicial de usar tecnologia chinesa para transformar petróleo em matéria-prima petroquímica foi abandonada.

Agora, a refinaria vai produzir nafta petroquímica, que será usada em uma outra unidade - na qual a Braskem terá participação - para produzir matéria-prima para a produção de plásticos. "A tecnologia que parte da nafta é mais aderente à tecnologia que nós usamos em nossas unidades e isso facilita", comentou. A capacidade de processamento da refinaria, que será 100% estatal, foi ampliada para 330 mil barris por dia.

ESTADOS UNIDOS

A Braskem está avaliando novas oportunidades no mercado americano, principalmente para garantir escala e condições logísticas de distribuição. "Já adotamos essa estratégia ao adquirir a Sunoco. Queremos uma base de clientes e logística de transportes", comentou Fadigas. Ele destacou especialmente três empresas que poderiam estar na mira, mas não admitiu que esteja negociando diretamente com elas.

Ele citou três companhias que, por motivos diversos, anunciaram ter interesse em vender ativos: Lyondell Basell (líder global na produção petroquímica), Dow e Ineos. No caso da Lyondell, especificamente, Fadigas lembrou que seria um "passo muito grande" para ser dado pela Braskem. Já sobre a Dow, ele disse que "é um perfil compatível com o que a Braskem está procurando".

OESP, 13/03/2010, Economia, p. B4

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