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Brasileiros mais ricos e mais generosos

O Globo, Economia, p. 26
28 de Mar de 2012

Brasileiros mais ricos e mais generosos
Entidade registra aumento da filantropia

Cleide Carvalho
cleide.carvalho@sp.oglobo.com.br

SÃO PAULO. Cresce no Brasil o investimento de famílias em projetos sociais. A novidade é que isso não vem apenas de ações sociais patrocinadas por empresas, mas do engajamento pessoal de empresários na criação e no comando de institutos e fundações, afirma o Grupo de Institutos Fundações e Empresas (Gife), criado há 17 anos. Com o crescimento econômico, aumentou o número de brasileiros na lista de bilionários da revista "Forbes". Eram 13 em 2009, e este ano são 36.
- As grandes concentrações de riqueza pessoal geram filantropia. Quando uma pessoa tem o privilégio de ser rica, o que a motiva é a chance de ajudar a transformar a realidade - diz Fernando Rossetti, secretário-geral do Gife.
Na década de 90, o investimento social das empresas era associado às ONGs. Com os sucessivos escândalos de desvio de verba, cresceram os institutos próprios. Além disso, boa parte das empresas abriu capital e precisa da aprovação dos acionistas para aplicar em projetos sociais.
Rossetti afirma que há um "apagão" de números no Brasil. Os empresários preferem não divulgar o investimento social, e a Receita Federal não divulga essas informações. Mas, na avaliação do Gife, o investimento social privado nunca foi tão alto.
Luís Norberto Pascoal, presidente do grupo DPaschoal, de serviços automotivos, criou a Fundação Educar no fim da década de 80 e investe 30% de seu tempo em atividades não empresariais.
Em 2001, ajudou a criar o Instituto Faça Parte, de incentivo ao voluntariado.
- Não acredito em investimento só do dinheiro. Precisamos de energia e experiência profissional. Nossa presença é o mais importante - afirma Pascoal.
Rossetti diz ainda que a atuaçãodas famílias é importante porque elas conseguem se engajar em temas mais polêmicos. O instituto Alana, por exemplo, da família Villela, do Grupo Itausa, tem um projeto chamado "Criança e Consumo", que atua nos direitos da criança e do consumidor.
Um grupo de empresários é doador do Fundo Brasil de Direitos Humanos. O Fundo Baobá, que substituirá a Fundação Kellogg no Brasil, também deve captar entre pessoas físicas. Um de seus alvos será a discriminação racial.
- As empresas têm de prestar contas aos acionistas e evitam aplicar recursos em temas polêmicos. As famílias não, elas atuam de acordo com sua consciência - diz o secretário-geral do Gife, que divulga esta semana um novo censo de investimento social no país e realiza um congresso em São Paulo.

O Globo, 28/03/2012, Economia, p. 26

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