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Brasil terá postura mais agressiva na conferência, garante governo

O Globo, Ciência, p. 29
12 de Nov de 2013

Brasil terá postura mais agressiva na conferência, garante governo
País pedirá resultados concretos no que diz respeito à adaptação às mudanças climáticas

Catarina Alencastro
catarina@bsb.oglobo.com.br

BRASÍLIA- O governo brasileiro vai apresentar na 19ª Convenção da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP-19), na Polônia, uma postura mais ofensiva de cobrança de resultados na chamada área de adaptação - as medidas que podem ser implementadas para conter os estragos das enchentes cada vez mais fortes e frequentes e das secas, também mais severas a cada ano.
O assunto, que sempre foi considerado marginal nas discussões climáticas, tem ganhado mais relevância no fórum internacional, e para o governo brasileiro passa a figurar como prioridade desde a publicação da prévia do último relatório do Painel Intergovernamental de Mudança Climáticas (IPCC) indicando que o Brasil foi o país que, nos últimos 111 anos, mais teve aumento da temperatura média. Junto com o Ártico, sofreu alta média de temperatura de 2,5"C.
A adaptação passou a ocupar a pauta da Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE), ligada à Presidência da República.
A pasta tem feito estudos para projetar quais são as consequências esperadas do aquecimento global em cada região brasileira.
Na cúpula, o Brasil mantém a posição defendida pelo G-77, grupo dos países em desenvolvimento, de que todos devem ajudar os países que necessitam de medidas de compensação aos estragos causados pelo clima. Atualmente a ONU conta com um fundo para adaptação, mas o Brasil não contribui; tampouco se beneficia dos parcos recursos atualmente disponíveis. Na presidência do encontro, a Polônia elegeu o tema perdas e danos como o centro das discussões que tomarão, a partir de hoje, duas semanas dos 195 países-membros da ONU em Varsóvia.
O subsecretário de Desenvolvimento Sustentável da SAE, Sergio Margulis, aponta que a urbanização por que o Brasil passou no século passado foi a principal causa do aumento da temperatura no país. No período, 90% da Mata Atlântica foram abaixo, bem como 80% da cobertura florestal no Sul, percentuais similares da perda vegetal ocorrida no Nordeste e, um pouco menor, no Centro-Oeste. A Amazônia perdeu 15% de sua cobertura florestal no período.

O Globo, 12/11/2013, Ciência, p. 29

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