OESP, Nacional, p. A8
05 de Mai de 2007
Brasil terá novas regras de segurança nuclear
Clarissa Thomé
No momento em que o presidente Lula cogita construir usinas nucleares como alternativa às hidrelétricas, paradas por causa da demora nas licenças ambientais, a Indústrias Nucleares do Brasil (INB), fabricante do combustível que abastece as usinas, pode se tornar a primeira empresa do mundo a adotar as novas medidas de segurança para instalações nucleares.
Peritos da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) vão encerrar quarta-feira uma auditoria de 19 dias nas instalações da fábrica, em Rezende, no Rio. Eles fazem parte da Missão Sedo (avaliação de segurança durante a operação, na sigla em inglês), que está definindo novas regras de segurança para as fábricas do ciclo do elemento combustível (as que dominam todas as etapas da fabricação - pó, pastilha e montagem). Depois, a missão irá à Argentina e à China.
O Brasil foi voluntário para receber os peritos. "É um projeto similar ao das usinas, cujo intuito é motivar as indústrias a buscar cada vez mais níveis de excelência em segurança, fabricação e manutenção", explicou o diretor da INB, Samuel Fayad. "O fato de sermos os primeiros ajuda a fortalecer a posição brasileira de enriquecer urânio somente para fins pacíficos, para gerar energia."
Houve certa polêmica quando o Brasil anunciou, em 2003, que desenvolvera a tecnologia de enriquecimento. A comunidade internacional fez pressão para que a INB permitisse que peritos da AIEA tivessem "acesso irrestrito" à ultracentrífuga. Chegou-se a um acordo sem expor a tecnologia nacional.
Fazem parte da Missão Sedo dois franceses, um sueco, um espanhol e um americano. Em 18 meses, a INB passará por nova vistoria, para averiguar se as sugestões foram cumpridas.
OESP, 05/05/2007, Nacional, p. A8
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