OESP, Especial, p. H5
Autor: GOLDEMBERG, José
21 de Dez de 2011
Brasil tem de fazer pressão para que líderes estrangeiros venham, diz físico
Um dos responsáveis pela Eco-92, Goldemberg defende nome de peso à frente da Rio+20, em vez de 'alguém do Itamaraty'
Entrevista: José Goldemberg
KARINA NINNI
Como secretário de Ciência e Meio Ambiente da Presidência da República em 1992, o físico José Goldemberg foi o principal articulador da Eco-92 em âmbito nacional. Ele falou ao Estado sobre sua experiência e as expectativas para a conferência da ONU.
Na época, como foi estabelecida a agenda da Eco-92?
A Eco-92 foi uma conferência sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento. O País resistiu muito ao tema meio ambiente, pois sabia que se sairia mal por causa dos índices de desmatamento da Amazônia, que estavam nas alturas. O Brasil tem uma tradição de não querer discutir meio ambiente. Em Estocolmo, em 1972, a posição do Brasil era antipática: "Primeiro temos de nos desenvolver para depois pensar no meio ambiente". A Eco-92 foi importante porque forçou o Brasil a ter uma posição mais progressista.
Foi um evento de imensa repercussão e, sob esse ponto de vista, um êxito. A que o sr. atribui?
No mundo todo as ONGs estavam fazendo enorme pressão sobre suas classes políticas e, em parte por isso, tantos governantes vieram. Mas a própria ONU tinha lideranças de mais presença, como o Maurice Strong.
O resultado da COP-17 pode influenciar a Rio+20?
Kyoto foi prorrogado a duras penas e foi uma barganha, para fazer com que EUA e China se comprometessem a iniciar a elaboração de um documento em 2015 que passe a valer em 2020, com metas obrigatórias para todos. Se nem isso tivesse saído, acho que a Rio+20 estaria ainda mais prejudicada.
Os organizadores da Rio+20 temem que o evento seja "esvaziado". O que o sr. acha disso?
Há muitos problemas quanto à vinda de chefes de Estado, estamos sabendo. Na Eco-92, alguns meses antes, também tínhamos poucas confirmações. Fui para os Estados Unidos falar com o Bush pai sobre a importância do encontro. As perspectivas da Rio+20 não são muito promissoras, a menos que os movimentos sociais e ambientalistas façam pressão. O Brasil vai ter de fazer muita força para atrair um número significativo de chefes de Estado para a conferência.
O que o sr. chama de "fazer muita força"?
Penso que o Brasil deveria nomear um embaixador extraordinário para a Rio+20. E tem de ser uma pessoa de status, não alguém do Itamaraty que ninguém sabe quem é. Para tentar trazer o maior número possível de líderes.
Quem seriam, em sua opinião, as pessoas aptas a fazer isso?
A princípio me ocorre o Celso Lafer, ministro das Relações Exteriores, na época da Eco-92. Mas o Carlos Minc, ex-ministro do Meio Ambiente, também é um bom nome.
E a Marina Silva?
A Marina seria uma injeção de adrenalina na veia. Atrairia entusiasmo e grande número de líderes.
OESP, 21/12/2011, Especial, p. H5
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