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Brasil reduz emissões de CO2

O Globo, Economia Verde, p. 38
Autor: VIEIRA, Agostinho
29 de Nov de 2012

Brasil reduz emissões de CO2

Agostinho Vieira
oglobo.globo.com/blogs/economiaverde

Os números oficiais só serão divulgados nomeio do ano que vem, mas as primeiras estimativas do governo indicam que, entre 2005 e 2010, o Brasil diminuiu as suas emissões de carbono em cerca de 30%. A principal razão dessa queda é a consistente redução nos índices de desmatamento que vem acontecendo desde 2004, quando foram derrubados mais de 27 mil km² de floresta Amazônica.

Na terça-feira, a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, anunciou o último número do desmatamento na região. Entre agosto de 2011 e julho de 2012 foram destruídos 4.656 km² de floresta. O volume mais baixo da série histórica, que é medida pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) desde 1988. Este dado, no entanto, não fará parte do Inventário Nacional de Emissões que considera apenas o que foi emitido em 2010 por cinco setores: uso da terra e florestas, energia, agricultura e pecuária, tratamento de resíduos e indústria.
Apesar de ser um indicador vital nestes tempos de mudanças climáticas, até hoje o Brasil produziu apenas dois inventários de emissões. O primeiro foi divulgado em 1995 e mostrava o que foi emitido pelo país em 1990. O segundo foi divulgado em 2010, com os dados de 2005. Os países desenvolvidos, que estão no Anexo 1 do Protocolo de Kioto, divulgam seus inventários de emissões todos os anos. O Brasil não é desenvolvido e não tem essa obrigação. Mas deveria.
Os cálculos não são simples, os dados vêm de fontes muito variadas e precisam ser checados. Mas essas dificuldades são as mesmas em todo o mundo.
Em 1990, o país emitiu 1,4 bilhão de toneladas de CO2 equivalente. A palavra equivalente significa que todos os outros gases de efeito estufa estão incluídos na conta e foram convertidos para um número equivalente de CO2. Em 2005, as emissões brasileiras subiram cerca de 60%, chegando a 2,192 bilhões de toneladas de CO2 equivalente. Este é o único número oficial que temos. Ele coloca o Brasil na lista dos dez maiores emissores de carbono do planeta.
Em todo o mundo, o principal responsável pelo aquecimento é o setor de energia e os seus combustíveis fósseis: carvão, petróleo e gás. No Brasil é diferente.
Ou, pelo menos, era. Dos dois bilhões de toneladas de carbono emitidos em 2005, 61% vieram do desmatamento. Dezenove por cento foram gerados pela agropecuária, o que inclui todos os gases produzidos pelos rebanhos. A energia aparece apenas em terceiro lugar, com 15%. Por conta dos combustíveis usados em carros e caminhões, já que a nossa matriz de energia elétrica é limpa. O setor industrial e a área de tratamento de resíduos e saneamento completam a lista, com 3% e 2%, respectivamente.
Os novos números mudam essa composição. É certo que o desmatamento perderá participação. Em 2005, segundo o INPE, foram desmatados 19 mil km2 de floresta. Em 2010, o índice caiu para sete mil km2.
Com isso, as emissões do setor devem variar entre 300 e 500 milhões de toneladas de carbono. O desmatamento passaria a ser a terceira fonte de emissões do país. Sendo superado pela agropecuária e pela energia, que tendem a crescer.
A notícia é boa e merece ser comemorada. Aliás, ontem, o embaixador André Corrêa do Lago, chefe da delegação brasileira que participa da COP-18, a conferência climática que está acontecendo em Doha, no Qatar, foi aplaudido de pé quando anunciou a redução de 27% na taxa de desmatamento.
Em 2009, na COP-15, em Copenhague, o então ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, convenceu o presidente Lula e a ministra Dilma Rousseff a apresentarem metas voluntárias de redução das emissões. O Brasil tem até 2020 para reduzir entre 36,1% e 38,9%. O ano base não é 1990 ou de 2005, mas uma projeção do que se estará emitindo em 2020. Ou seja, além dos dividendos políticos que trouxe, é uma meta relativamente fácil de ser alcançada.
O problema agora são os próximos passos. Quem faz dieta sabe que os primeiros quilos são sempre os mais fáceis de perder. A partir de 2020 entra em vigor a chamada Plataforma de Durban. Um acordo que ainda precisa ser detalhado até 2015, mas que estabelecerá metas de redução de emissões para todos os países do mundo, sem exceção.
O Brasil já se comprometeu a participar e diz que defenderá metas agressivas. Só que não teremos mais tanta gordura para queimar. Vamos precisar fazer um dever de casa mais difícil. Resolver questões como a falta de saneamento básico, a ineficiência da pecuária e o pouco compromisso de grande parte das empresas com a redução das suas emissões. Agora é que o jogo vai realmente começar.
E-mail: economiaverde@oglobo.com.br

36,1% é a meta mínima de redução das emissões de gases de efeito estufa que o Brasil se comprometeu a atingir até 2020. Com a sistemática queda do desmatamento nos últimos anos, boa parte da tarefa já foi alcançada.

O Globo, 29/11/2012, Economia Verde, p. 38

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