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Autor: Renata Turbiani, para o Um Só Planeta
26 de Mar de 2026
Sob condução do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e do Serviço Florestal Brasileiro (SFB), o Governo Federal realizou, na quarta-feira (25), na B3, em São Paulo, o primeiro leilão de concessão voltado à restauração florestal com geração de créditos de carbono. A empresa brasileira Re.green, especializada em recuperação de ecossistemas, foi a vencedora, e será responsável por gerir a Unidade de Manejo II (UM II) da Floresta Nacional do Bom Futuro, em Rondônia, durante 40 anos.
O MMA destaca que a concessão, cujo modelo foi estruturado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), contribuirá para que o Brasil atinja o compromisso de restaurar 12 milhões de hectares até 2030 no âmbito do Plano Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa (Planaveg).
"Essa é uma proposta inédita. Somos um país de cultura extrativista, mesmo que em bases sustentáveis. Por meio desta iniciativa, estamos impulsionando a agenda de restauração, que gera como frutos, neste caso, créditos de carbono. Esse ineditismo significa uma virada, uma mudança de paradigma. Por isso, celebramos o resultado do leilão", celebrou a ministra da pasta, Marina Silva, em comunicado.
Caberá à Re.green a recuperação de 6.290 hectares de áreas degradadas, com foco na recomposição das funções ecológicas, conservação da biodiversidade e contribuição para o enfrentamento da mudança do clima. O investimento estimado é de R$ 87 milhões ao longo de 40 anos.
No leilão, a empresa apresentou proposta de repassar ao governo federal 0,70% de toda a receita operacional bruta gerada na gestão da UMF-II.
A principal fonte de receita será a comercialização de créditos de carbono, com estimativa de geração de 1.897.302 toneladas de CO2 equivalente.
O modelo de concessão, segundo o BNDES, inclui cláusulas contratuais que destinam recursos para pesquisa científica, educação ambiental, proteção florestal e apoio às comunidades do entorno, incluindo a população indígena Karitiana. Também há incentivos para ações afirmativas de gênero, inclusão de povos indígenas e estímulo à economia local por meio da compra de sementes e contratação de mão de obra regional.
Além disso, ela integra um conjunto mais amplo de estruturação de ativos ambientais pelo governo brasileiro. Atualmente, o SFB estrutura 17 novos projetos de concessão, sendo 10 de manejo florestal sustentável e sete focados em restauração florestal.
Citado pela Reuters, Garo Batmanian, chefe do órgão, disse que o plano é disponibilizar cerca de 750 mil acres sob esse modelo até 2027. Ele acrescentou que autoridades mapearam 3,2 milhões de acres de áreas protegidas que necessitam de restauração, acrescentou.
O SFB salientou que realizará uma avaliação técnica detalhada deste primeiro processo para incorporar aprendizados e aprimorar os próximos editais, incluindo a UMF I, que não recebeu propostas nesta rodada, visando ampliar a competitividade sem abrir mão da integridade ambiental.
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