OESP, Vida, Especial, p. H2
05 de Dez de 2008
Brasil quer mover peças na COP
Giovana Girardi e Herton Escobar
O fato de ter anunciado um Plano Nacional de Mudanças Climáticas a tempo de apresentá-lo na conferência do clima da ONU deixa o Brasil em uma posição mais confortável para cobrar ações de outros países. É com isso que está contando o governo, de acordo com a secretária de Mudanças Climáticas do Ministério do Meio Ambiente, Suzana Ribeiro Kahn. Ela acredita que o plano pode movimentar um pouco as negociações.
"Até o ano passado, tínhamos de um lado os países em desenvolvimento falando que não iam agir, enquanto os desenvolvidos que têm responsabilidade histórica na questão, como os Estados Unidos, não fizessem sua parte. E os EUA cobrando que os países em desenvolvimento estão poluindo cada vez mais. Quando um país como o Brasil assume um compromisso interno, muda essa posição de força. Havia um marasmo e movemos uma peça."
A grande vantagem do plano é trazer metas para a contenção do desmatamento na Amazônia. A proposta é que a devastação caia 40% no período 2006-2009, na comparação com a média observada entre 1996-2005. Especialistas que acompanham as negociações internacionais acreditam que isso, de fato, deve fortalecer o País no evento. "O plano tem um lado muito positivo: o fato de que o governo entendeu que não poderia aparecer em Poznan sem uma política clara do que vai ser feito sobre a Amazônia. Qualquer plano sem metas claras seria recebido muito mal e provavelmente impactaria o fluxo de recursos estrangeiros para a conservação", afirma o físico José Goldemberg, da USP.
Para Suzana, o plano se encaixa em uma proposta comentada em Bali em 2007 e que já tinha sido apresentada pelo IPCC: de que os países em desenvolvimento deveriam atingir uma curva de crescimento de emissões achatada, menor do que seria se não houvesse pressão climática. "Com a redução do desmatamento, o plano do Brasil se antecipa a isso. Já estamos estudando um mecanismo de avaliação do desempenho que nossas medidas terão na redução da inclinação da curva. Ao nos adiantarmos a isso, nos sentimos confortáveis para cobrar dos outros países que façam o mesmo. Somos um país vulnerável às mudanças, temos todo o interesse em evitar catástrofe maior."
OESP, 05/12/2008, Vida, Especial, p. H2
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