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Brasil promete fim de desmatamento ilegal e mais energia limpa

OESP, Política, p. A6
01 de Jul de 2015

Brasil promete fim de desmatamento ilegal e mais energia limpa
Em parceria com os EUA, País assume meta de ter 20% de fontes renováveis na matriz elétrica; anúncio frustra ambientalistas

O Brasil prometeu ontem em Washington restaurar e reflorestar12 milhões de hectares de florestas e acabar com o desmatamento ilegal até 2030. As medidas integram declaração sobre mudança climática fechada com os Estados Unidos e anunciada pelos presidentes Dilma Rousseff e Barack Obama. Os dois países se comprometeram ainda a elevara 20%, no mesmo período, a participação de fontes renováveis em sua matriz elétrica - sem considerar a geração hídrica.
O acordo representa a mais importante colaboração em âmbito global entre os dois países e teve a função de alinhar a visita de Dilma a Washington às prioridades de Obama, que pretende deixar um legado no com bate ao aquecimento global. No ano passado, EUA e China anunciaram metas concretas para a redução da emissão de gases do efeito estufa.
Especialistas em clima e ativistas ambientais ouvidos pelo Estado comemoraram o compromisso assumido pelos dois presidentes, mas ficaram frustrados com a falta de ambição das poucas metas anunciadas.
Depois do encontro que tiveram ontem na Casa Branca, Obama e Dilma prometeram se empenhar para o sucesso da Conferência do Clima que será realizada em Paris no fim do ano, na qual os países assumirão compromissos de redução de emissões a partir de 2020.
Além das promessas do Brasil em relação a florestas, o principal compromisso foi o aumento das fontes renováveis na matriz elétrica, classificado de "ambicioso" por Obama. Para os americanos, isso significa triplicar o porcentual atual. No Brasil, a contribuição de fontes renováveis dobraria até 2030. No caso das florestas, a meta de 12 milhões de hectares vai mais que duplicar a área plantada do País, que ocupa hoje 7,1 milhões de hectares.
O documento não traz metas específicas de redução de emissões por parte do Brasil, algo que os americanos gostariam dever. O governo Dilma pretende apresentar seus compromissos no âmbito da negociação de Paris, que têm caráter multilateral. Para assessores da presidente, não fazia sentido revelar números em uma visita bilateral. Ontem o País se comprometeu a adotar reduções ambiciosas, mas não especificou números.
O ponto mais criticado entre os especialistas foi o anúncio de Dilma quanto à eliminação do desmatamento ilegal. "É constrangedor que um país como o Brasil, que já demonstrou grande capacidade institucional de reduzir o desmatamento, anuncie em uma reunião entre chefes de Estado que implementar á políticas para cumprir sua obriga
ção de eliminar o crime ambiental", disse Carlos Rittl, secretário-geral do Observatório do Clima.
Para Adalberto Veríssimo, pesquisador sênior do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), não houve novidades em relação ao desmatamento. "Do ponto de vista qualitativo, por outro lado, achei o comunicado conjunto bom, porque reconhece a urgência do tema das mudanças climáticas."
Segundo o físico José Goldemberg, presidente do Conselho de Sustentabilidade da Fecomercio-SP, as metas para energia - atingir 28% a 33% de renováveis na matriz em 2030, excluindo hidrelétricas-não são apenas pouco ambiciosas, mas podem decretar no futuro um aumento absoluto das emissões de CO2.

Reações
José Goldemberg
Presidente do Conselho de Sustentabilidade da Fecomercio-SP
"As propostas para desmatamento e reflorestamento são boas. Mas, no que se refere à matriz energética, o compromisso não reduzirá a quantidade de emissões de gases de efeito estufa - e poderá até aumentá-las. Não houve nenhuma novidade. Tudo o que foi anunciado já estava no plano da Empresa de Pesquisa Energética"

Carlos Rittl
Secretário-geral do Observatório do Clima
"Ao afirmar que buscará políticas para eliminar o desmatamento ilegal, o governo está dizendo que aceita conviver com o crime - e não se sabe por quanto tempo, já que não foi estabelecido um prazo claro para essa meta. Todos os outros países tropicais já se comprometeram a zerar o desmatamento em 2030"

Adalberto Veríssimo
Pesquisador sênior do Imazon
"O Brasil precisa restaurar muito suas áreas florestais. Só no Pará, será preciso recuperar cerca de 2milhões de hectares. Na Amazônia inteira. o passivo é de pelo menos 8milhões de hectares. Nesse contexto, eu diria que a meta de restaurar 12 milhões de hectares de florestas não chega a ser ambiciosa, mas é razoável"

OESP, 01/07/2015, Política, p. A6

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