OESP, Vida, p. A20
21 de Set de 2010
Brasil progride e deve cumprir maioria dos objetivos propostos
País, porém, ainda têm problemas crônicos, como diferenças de gênero e regionais, além de qualidade dos serviços
Mariana Mandelli
O Brasil está avançando e deve cumprir quase todas as metas propostas pela ONU, mas ainda precisa desenvolver políticas públicas que atinjam cidadãos excluídos e resolvam questões essenciais como saúde e educação. Essa é a opinião de especialistas que acompanham os programas de desenvolvimento do País.
"Observando as oito metas, vemos que o Brasil está muito bem, tem feito muitos avanços", afirma o diretor de Estudos e Políticas Sociais do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Jorge Abrahão. "Com o crescimento econômico e os investimentos em políticas sociais, isso era esperado."
Mas, segundo Abrahão, o País ainda precisa avançar em questões crônicas. "Em educação, por exemplo, universalizamos o acesso, mas a permanência e a qualidade, por exemplo, ainda são problemas", explica. "Em gênero, as mulheres ainda ocupam cargos menores com salários menores." De acordo com Abrahão, o Brasil não deve cumprir a meta de mortalidade materna, que ainda é muito alta. "E ainda enfrentamos problemas com o saneamento básico na área rural."
De acordo com o governo brasileiro, ao apresentar números sobre as metas do milênio, em 1990, cerca de um quarto da população brasileira vivia em extrema pobreza (menos de US$ 1,25 por dia). Dezoito anos depois, o total caiu para 4,8%. A mortalidade infantil também se reduziu em 60% no mesmo período. O governo brasileiro acrescenta ter apresentado evoluções em todas as outras metas.
Para Mário Volpi, coordenador do Programa Cidadania dos Adolescentes do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) do Brasil, o País agora tem um novo desafio. "Não temos de trabalhar só com as médias nacionais. Temos de desagregar dados para permitir que os mais excluídos sejam alcançados pelas políticas públicas."
"O fato de as metas serem baseadas em dados nacionais esconde dados como as desigualdades de raça e gênero e camufla também a situação das pessoas com deficiência", opinou Volpi./ Colaborou G.C.
OESP, 21/09/2010, Vida, p. A20
http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100921/not_imp612870,0.php
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