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BRASIL PODE SER PUNIDO POR EXTRAÇÃO ILEGAL DE DIAMANTES NA RESERVA ÍNDIGENA DOS CINTA LARGA

Financial Times-NY e Rondoniagora - Porto Velho -RO
13 de Mar de 2006

Um dos mais respeitados jornais do mundo, o Financial Times, trouxe reportagem nesta segunda-feira apontando o Brasil como um dos maiores exportadores de diamantes de origem suspeitas. A Polícia Federal, Ministério Público e o Ministério das Minas e Energia descobriram que grande parte da extração das pedras preciosas é feita no garimpo da reserva Roosevelt em Espigão do Oeste, onde já houve conflito entre índios e garimpeiros, terminando com a morte de mais de 30 homens. O local pertence a tribo Cinta Larga.
O Brasil sofrerá investigação e as exportações de diamantes estão suspensas até a conclusão dos relatórios policiais. O diretor de investigação da polícia, José Maria Fonseca, disse que a maior
parte dos diamantes suspeitos parece ser oriunda de uma reserva indígena no norte do Brasil, onde a mineração é ilegal. "Não existe controle algum, de forma que é impossível estimar um valor para os diamantes vinculados a esse esquema", disse Fonseca. "Quase todos eles são clandestinos".
A instituição que combate o comércio ilegal de diamantes pediu a reforma do sistema brasileiro de inspeções, depois da prisão de dez pessoas, incluindo o chefe de um distrito regional da agência governamental de mineração (Departamento Nacional de Produção Mineral, DNPM), e a suspensão de todas as exportações de diamantes do Brasil.
Em um relatório divulgado no domingo, a organização internacional Parceria África-Canadá (PAC), com sede em Ottawa, solicitou investigações sobre supostas violações generalizadas do Processo Kimberley, o sistema de certificação apoiado pela Organização das Nações Unidas (ONU) que entrou em vigor em 2000 para inibir o comércio dos chamados "diamantes do conflito", que alimentaram guerras civis na África.
Esta é a primeira vez em que o Processo Kimberley, integrado por governos, organizações não governamentais e pela indústria diamantina, teve que lidar com um problema em um país não africano, e com um caso de fraude em grande escala, e não com um conflito.

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